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Listen to this chapter • 5:23

[1] Então, chegaram ao pé de Jesus uns escribas e fariseus de Jerusalém, dizendo:

[2] Por que transgridem os teus discípulos a tradição dos anciãos? Pois não lavam as mãos quando comem pão.

[3] Ele, porém, respondendo, disse-lhes: Por que transgredis vós também o mandamento de Deus pela vossa tradição?

[4] Porque Deus ordenou, dizendo: Honra a teu pai e a tua mãe; e: Quem maldisser ao pai ou à mãe, que morra de morte.

[5] Mas vós dizeis: Qualquer que disser ao pai ou à mãe: É oferta ao Senhor o que poderias aproveitar de mim, esse não precisa honrar nem a seu pai nem a sua mãe,

[6] E assim invalidastes, pela vossa tradição, o mandamento de Deus.

[7] Hipócritas, bem profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo:

[8] Este povo honra-me com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim.

[9] Mas em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos dos homens.

[10] E, chamando a si a multidão, disse-lhes: Ouvi e entendei:

[11] o que contamina o homem não é o que entra na boca, mas o que sai da boca, isso é o que contamina o homem.

[12] Então, acercando-se dele os seus discípulos, disseram-lhe: Sabes que os fariseus, ouvindo essas palavras, se escandalizaram?

[13] Ele, porém, respondendo, disse: Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada.

[14] Deixai-os; são condutores cegos; ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão na cova.

[15] E Pedro, tomando a palavra, disse-lhe: Explica-nos essa parábola.

[16] Jesus, porém, disse: Até vós mesmos estais ainda sem entender?

[17] Ainda não compreendeis que tudo o que entra pela boca desce para o ventre e é lançado fora?

[18] Mas o que sai da boca procede do coração, e isso contamina o homem.

[19] Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias.

[20] São essas coisas que contaminam o homem; mas comer sem lavar as mãos, isso não contamina o homem.

[21] E, partindo Jesus dali, foi para as partes de Tiro e de Sidom.

[22] E eis que uma mulher cananeia, que saíra daquelas cercanias, clamou, dizendo: Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim, que minha filha está miseravelmente endemoninhada.

[23] Mas ele não lhe respondeu palavra. E os seus discípulos, chegando ao pé dele, rogaram-lhe, dizendo: Despede-a, que vem gritando atrás de nós.

[24] E ele, respondendo, disse: Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel.

[25] Então, chegou ela e adorou-o, dizendo: Senhor, socorre-me.

[26] Ele, porém, respondendo, disse: Não é bom pegar o pão dos filhos e deitá-lo aos cachorrinhos.

[27] E ela disse: Sim, Senhor, mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus senhores.

[28] Então, respondeu Jesus e disse-lhe: Ó mulher, grande é a tua fé. Seja isso feito para contigo, como tu desejas. E, desde aquela hora, a sua filha ficou sã.

[29] Partindo Jesus dali, chegou ao pé do mar da Galileia e, subindo a um monte, assentou-se lá.

[30] E veio ter com ele muito povo, que trazia coxos, cegos, mudos, aleijados e outros muitos; e os puseram aos pés de Jesus, e ele os sarou,

[31] de tal sorte que a multidão se maravilhou vendo os mudos a falar, os aleijados sãos, os coxos a andar, e os cegos a ver; e glorificava o Deus de Israel.

[32] E Jesus, chamando os seus discípulos, disse: Tenho compaixão da multidão, porque já está comigo há três dias e não tem o que comer, e não quero despedi-la em jejum, para que não desfaleça no caminho.

[33] E os seus discípulos disseram-lhe: Donde nos viriam num deserto tantos pães, para saciar tal multidão?

[34] E Jesus disse-lhes: Quantos pães tendes? E eles disseram: Sete e uns poucos peixinhos.

[35] Então, mandou à multidão que se assentasse no chão.

[36] E, tomando os sete pães e os peixes e dando graças, partiu-os e deu-os aos seus discípulos, e os discípulos, à multidão.

[37] E todos comeram e se saciaram, e levantaram, do que sobejou, sete cestos cheios de pedaços.

[38] Ora, os que tinham comido eram quatro mil homens, além de mulheres e crianças.

[39] E, tendo despedido a multidão, entrou no barco e dirigiu-se ao território de Magdala.

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