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Listen to this chapter • 8:41

[1] Tendo Jesus saído de casa naquele dia, estava assentado junto ao mar.

[2] E ajuntou-se muita gente ao pé dele, de sorte que, entrando num barco, se assentou; e toda a multidão estava em pé na praia.

[3] E falou-lhe de muitas coisas por parábolas, dizendo: Eis que o semeador saiu a semear.

[4] E, quando semeava, uma parte da semente caiu ao pé do caminho, e vieram as aves e comeram-na;

[5] e outra parte caiu em pedregais, onde não havia terra bastante, e logo nasceu, porque não tinha terra funda.

[6] Mas, vindo o sol, queimou-se e secou-se, porque não tinha raiz.

[7] E outra caiu entre espinhos, e os espinhos cresceram e sufocaram-na.

[8] E outra caiu em boa terra e deu fruto: um, a cem, outro, a sessenta, e outro, a trinta.

[9] Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça.

[10] E, acercando-se dele os discípulos, disseram-lhe: Por que lhes falas por parábolas?

[11] Ele, respondendo, disse-lhes: Porque a vós é dado conhecer os mistérios do Reino dos céus, mas a eles não lhes é dado;

[12] porque àquele que tem se dará, e terá em abundância; mas aquele que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado.

[13] Por isso, lhes falo por parábolas, porque eles, vendo, não veem; e, ouvindo, não ouvem, nem compreendem.

[14] E neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: Ouvindo, ouvireis, mas não compreendereis e, vendo, vereis, mas não percebereis.

[15] Porque o coração deste povo está endurecido, e ouviu de mau grado com seus ouvidos e fechou os olhos, para que não veja com os olhos, e ouça com os ouvidos, e compreenda com o coração, e se converta, e eu o cure.

[16] Mas bem-aventurados os vossos olhos, porque veem, e os vossos ouvidos, porque ouvem.

[17] Porque em verdade vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que vós vedes e não o viram, e ouvir o que vós ouvis, e não o ouviram.

[18] Escutai vós, pois, a parábola do semeador.

[19] Ouvindo alguém a palavra do Reino e não a entendendo, vem o maligno e arrebata o que foi semeado no seu coração; este é o que foi semeado ao pé do caminho;

[20] porém o que foi semeado em pedregais é o que ouve a palavra e logo a recebe com alegria;

[21] mas não tem raiz em si mesmo; antes, é de pouca duração; e, chegada a angústia e a perseguição por causa da palavra, logo se ofende;

[22] e o que foi semeado entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo e a sedução das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutífera;

[23] mas o que foi semeado em boa terra é o que ouve e compreende a palavra; e dá fruto, e um produz cem, outro, sessenta, e outro, trinta.

[24] Propôs-lhes outra parábola, dizendo: O Reino dos céus é semelhante ao homem que semeia boa semente no seu campo;

[25] mas, dormindo os homens, veio o seu inimigo, e semeou o joio no meio do trigo, e retirou-se.

[26] E, quando a erva cresceu e frutificou, apareceu também o joio.

[27] E os servos do pai de família, indo ter com ele, disseram-lhe: Senhor, não semeaste tu no teu campo boa semente? Por que tem, então, joio?

[28] E ele lhes disse: Um inimigo é quem fez isso. E os servos lhe disseram: Queres, pois, que vamos arrancá-lo?

[29] Porém ele lhes disse: Não; para que, ao colher o joio, não arranqueis também o trigo com ele.

[30] Deixai crescer ambos juntos até à ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: colhei primeiro o joio e atai-o em molhos para o queimar; mas o trigo, ajuntai-o no meu celeiro.

[31] Outra parábola lhes propôs, dizendo: O Reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda que um homem, pegando dele, semeou no seu campo;

[32] o qual é realmente a menor de todas as sementes; mas, crescendo, é a maior das plantas e faz-se uma árvore, de sorte que vêm as aves do céu e se aninham nos seus ramos.

[33] Outra parábola lhes disse: O Reino dos céus é semelhante ao fermento que uma mulher toma e introduz em três medidas de farinha, até que tudo esteja levedado.

[34] Tudo isso disse Jesus por parábolas à multidão e nada lhes falava sem parábolas,

[35] para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta, que disse: Abrirei em parábolas a boca; publicarei coisas ocultas desde a criação do mundo.

[36] Então, tendo despedido a multidão, foi Jesus para casa. E chegaram ao pé dele os seus discípulos, dizendo: Explica-nos a parábola do joio do campo.

[37] E ele, respondendo, disse-lhes: O que semeia a boa semente é o Filho do Homem,

[38] o campo é o mundo, a boa semente são os filhos do Reino, e o joio são os filhos do Maligno.

[39] O inimigo que o semeou é o diabo; e a ceifa é o fim do mundo; e os ceifeiros são os anjos.

[40] Assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será na consumação deste mundo.

[41] Mandará o Filho do Homem os seus anjos, e eles colherão do seu Reino tudo o que causa escândalo e os que cometem iniquidade.

[42] E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali, haverá pranto e ranger de dentes.

[43] Então, os justos resplandecerão como o sol, no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça.

[44] Também o Reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo que um homem achou e escondeu; e, pelo gozo dele, vai, vende tudo quanto tem e compra aquele campo.

[45] Outrossim, o Reino dos céus é semelhante ao homem negociante que busca boas pérolas;

[46] e, encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo quanto tinha e comprou-a.

[47] Igualmente, o Reino dos céus é semelhante a uma rede lançada ao mar e que apanha toda qualidade de peixes.

[48] E, estando cheia, a puxam para a praia e, assentando-se, apanham para os cestos os bons; os ruins, porém, lançam fora.

[49] Assim será na consumação dos séculos: virão os anjos e separarão os maus dentre os justos.

[50] E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali, haverá pranto e ranger de dentes.

[51] E disse-lhes Jesus: Entendestes todas estas coisas? Disseram-lhe eles: Sim, Senhor.

[52] E ele disse-lhes: Por isso, todo escriba instruído acerca do Reino dos céus é semelhante a um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas.

[53] E aconteceu que Jesus, concluindo essas parábolas, se retirou dali.

[54] E, chegando à sua pátria, ensinava-os na sinagoga deles, de sorte que se maravilhavam e diziam: Donde veio a este a sabedoria e estas maravilhas?

[55] Não é este o filho do carpinteiro? E não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos, Tiago, e José, e Simão, e Judas?

[56] E não estão entre nós todas as suas irmãs? Donde lhe veio, pois, tudo isso?

[57] E escandalizavam-se nele. Jesus, porém, lhes disse: Não há profeta sem honra, a não ser na sua pátria e na sua casa.

[58] E não fez ali muitas maravilhas, por causa da incredulidade deles.

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