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Listen to this chapter • 3:29

[1] Então em resposta Jó disse:

[2] “Ah! Se a minha desgraça e os meus sofrimentos fossem postos numa balança,

[3] com certeza pesariam mais do que a areia do mar. E foi por isso que falei com violência.

[4] As flechas venenosas do Deus Todo-Poderoso estão fincadas em mim, e o veneno entra na minha alma. Com os seus ataques, Deus me tem enchido de terror.

[5] O jumento fica contente quando come capim, e o boi não reclama quando tem pasto.

[6] Mas quem gosta de comida sem sal? Que gosto tem a clara do ovo?

[7] Não tenho apetite para comer essas coisas, e tudo o que como me faz mal.

[8] “Ah! Se Deus me desse o que estou pedindo! Ah! Se Deus respondesse à minha oração!

[9] Então ele me tiraria a vida; ele me atacaria e acabaria comigo!

[10] Se eu soubesse que Deus faria isso, daria pulos de alegria, mesmo sofrendo muita dor. Pois Deus é santo, e eu nunca fui contra as suas decisões.

[11] Onde estão as minhas forças para resistir? Por que viver, se não há esperança?

[12] Será que sou forte como a pedra? Será que o meu corpo é de bronze?

[13] Não sou capaz de me ajudar a mim mesmo, e não há ninguém que me socorra.

[14] “Uma pessoa desesperada merece a compaixão dos seus amigos, mesmo que tenha deixado de temer ao Deus Todo-Poderoso.

[15] Mas eu não pude contar com vocês, meus amigos, que me desapontaram como um riacho que seca no verão.

[16] Primeiro ele está cheio de gelo e de neve,

[17] mas depois vira água, que vai sumindo no calor, até que no fim o seu leito fica seco e duro.

[18] As caravanas se perdem procurando água; avançam pelo deserto e ali morrem.

[19] Aquelas que vêm de Temá e de Sabá procuram esses ribeirões, cheias de esperança,

[20] porém, quando chegam, todos ficam desapontados, e a sua esperança morre ali.

[21] Vocês são como esses ribeirões; vocês veem a minha miséria e ficam com medo.

[22] Por acaso, pedi que vocês me dessem qualquer coisa? Ou que me oferecessem um presente?

[23] Será que pedi que me salvassem de um inimigo ou que me livrassem das mãos dos bandidos?

[24] “Ensinem-me, que eu ficarei calado; mostrem os erros que cometi.

[25] Quem fala a verdade convence, mas a acusação de vocês não prova nada.

[26] Será que vocês querem criticar o que eu digo, querem tratar as palavras de um homem desesperado como se elas fossem vento?

[27] Vocês seriam capazes de vender um órfão em leilão; vocês venderiam até mesmo um amigo!

[28] Olhem bem nos meus olhos e digam se estou mentindo.

[29] Retirem o que disseram; não sejam injustos. Não me condenem; eu estou com a razão.

[30] Vocês pensam que sou mentiroso? Será que não sei o que é certo e o que é errado?

Jó — Chapters