Skip to content
Opens in a new window
Listen to this chapter • 3:42

[1] “Mas agora homens mais moços do que eu zombam de mim. Os pais deles não valem nada; eu não poria essa gente nem com os cachorros que cuidam do meu rebanho.

[2] De que me serviria a força dos seus braços? São homens magros,

[3] enfraquecidos de tanto passar fome e miséria. À noite, na solidão de lugares desertos, eles têm de roer raízes secas.

[4] Pegam ervas e cascas de árvores e se alimentam de raízes que não servem para comer.

[5] São expulsos do meio das pessoas, que os espantam, aos gritos, como se eles fossem ladrões.

[6] Têm de morar em barrancos medonhos, em cavernas ou nas rochas.

[7] Uivam no meio das moitas e se ajuntam debaixo dos espinheiros.

[8] Raça inútil, gente sem nome, são enxotados do país.

[9] “Mas agora essa gente vem e zomba de mim; para eles eu não passo de uma piada.

[10] Sentem nojo de mim e se afastam e chegam até a me cuspir na cara.

[11] Deus me enfraqueceu e me humilhou, e por isso, furiosos, eles se viram contra mim.

[12] Essa raça de gente ruim me ataca, me faz correr e procura acabar comigo.

[13] Eles não deixam que eu fuja, procuram me destruir, e ninguém os faz parar.

[14] Entram por uma brecha da muralha e no meio das ruínas se jogam contra mim.

[15] Eu fico apavorado. A minha honra foi como que varrida para longe pelo vento; a minha prosperidade passou como se fosse uma nuvem.

[16] “Agora já não tenho vontade de viver; o desespero tomou conta de mim.

[17] De noite os ossos me doem muito; a dor que me atormenta não para.

[18] Deus me agarrou pela garganta com tanta violência, que desarrumou a minha roupa.

[19] Ele me atirou na lama; eu não valho mais do que o pó ou a cinza.

[20] “Ó Deus, eu clamo pedindo a tua ajuda, e não me respondes; eu oro a ti, e não te importas comigo.

[21] Tu me tratas com crueldade e me persegues com todo o teu poder.

[22] Fazes com que o vento me carregue e numa tempestade violenta me jogas de um lado para outro.

[23] Bem sei que me levarás à Terra da Morte, o lugar de encontro marcado para todos os vivos.

[24] Por que atacas um homem arruinado, que não pode fazer nada, a não ser pedir piedade?

[25] Por acaso, não chorei com as pessoas aflitas? Será que não tive pena dos pobres?

[26] Eu esperava a felicidade, e veio a desgraça; eu aguardava a luz, e chegou a escuridão.

[27] “O meu coração está agitado e não descansa; só tenho vivido dias de aflição.

[28] Levo uma vida triste, como um dia sem sol; eu me levanto diante de todos e peço ajuda.

[29] A minha voz é um gemido triste, como os uivos do lobo ou os gritos do avestruz.

[30] A minha pele está ficando preta, e o meu corpo queima de febre.

[31] Eu costumava ouvir a música alegre de liras e flautas, mas agora só escuto gente chorando e soluçando.

Jó — Chapters