Skip to content
Opens in a new window
Listen to this chapter • 4:06

[1] Então Jó respondeu:

[2] “Na verdade, sei que assim é; porque, como pode o mortal ser justo diante de Deus?

[3] Se quiser discutir com ele, nem a uma de mil coisas lhe poderá responder.

[4] Ele é sábio de coração e grande em poder; quem ousou desafiá-lo e sobreviveu?

[5] Ele é quem remove os montes, sem que saibam que na sua ira ele os transtorna.

[6] Deus remove a terra do seu lugar, e faz as suas colunas estremecerem.

[7] Ele dá uma ordem ao sol, e este não sai, e sela as estrelas.

[8] Sozinho ele estende os céus e anda sobre as costas do mar.

[9] Ele fez a Ursa Maior, o Órion, o Sete-estrelo e as constelações do Sul.

[10] Deus faz coisas grandes e insondáveis, e maravilhas que não se podem enumerar.

[11] Eis que ele passa por mim, e não o vejo; segue diante de mim, e não o percebo.

[12] Eis que arrebata a presa! Quem o pode impedir? Quem lhe dirá: ‘O que estás fazendo?’

[13] Deus não revogará a sua própria ira; debaixo dele se curvam os ajudantes do monstro Raabe.”

[14] “Como então poderei eu responder a ele? Como escolher as minhas palavras, para argumentar com ele?

[15] Ainda que eu fosse justo, não lhe responderia; pelo contrário, pediria misericórdia ao meu Juiz.

[16] Ainda que eu o chamasse e ele me respondesse, nem por isso eu creria que ele deu ouvidos à minha voz.

[17] Porque me esmaga com uma tempestade e sem motivo multiplica as minhas feridas.

[18] Não me permite respirar, porque me enche de amargura.

[19] Se é uma questão de força, ele é o forte; se é uma questão de justiça, ele dirá: ‘Quem pode me intimar?’

[20] Ainda que eu seja justo, a minha boca me condenará; embora eu seja íntegro, ela me declarará culpado.

[21] Eu sou íntegro, mas não me importo comigo, não faço caso da minha vida.

[22] Para mim, é tudo a mesma coisa; por isso, digo: ele destrói tanto os íntegros como os perversos.

[23] Se um flagelo mata de repente, ele rirá do desespero dos inocentes.

[24] A terra está entregue nas mãos dos ímpios, e Deus ainda cobre o rosto dos juízes. Se ele não é o causador disso, quem seria?”

[25] “Os meus dias são mais velozes do que um corredor; fogem sem ter visto a felicidade.

[26] Passam como barcos de junco, como a águia que se lança sobre a presa.

[27] Se eu disser: ‘Vou esquecer a minha queixa, deixarei o meu ar triste e ficarei contente’;

[28] ainda assim todas as minhas dores me apavoram, porque bem sei que não me considerarás inocente.

[29] Eu serei condenado; por que, pois, trabalho em vão?

[30] Ainda que me lave com água de neve e purifique as minhas mãos com sabão,

[31] mesmo assim me submergirás no lodo, e as minhas próprias roupas terão nojo de mim.

[32] Porque ele não é ser humano, como eu, a quem eu responda, se formos juntos ao tribunal.

[33] Não há entre nós árbitro que ponha a mão sobre nós dois.

[34] Que ele tire a sua vara de cima de mim, e que o seu terror não me amedronte!

[35] Então falarei sem o temer; do contrário, eu não estaria em mim.”

O Livro de Jó — Chapters