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Listen to this chapter • 4:19

[1] Então Jó respondeu:

[2] “Ouçam com atenção as minhas palavras; seja esta a consolação que vocês me trazem.

[3] Tenham paciência, e eu falarei; e, havendo eu falado, poderão zombar de mim.

[4] Será que é do homem que eu me queixo? Não tenho motivo para ficar impaciente?

[5] Olhem para mim e fiquem pasmos, e ponham a mão sobre a boca.

[6] Porque só de pensar nisso fico apavorado, e sinto um calafrio passar pelo meu corpo.”

[7] “Como é que os ímpios continuam vivos, envelhecem e ainda se tornam mais poderosos?

[8] Os seus filhos se estabelecem na sua presença; e os seus descendentes, diante dos seus olhos.

[9] As suas casas têm paz e estão livres do medo; e a vara de Deus não os fustiga.

[10] Os seus touros geram e não falham; as suas novilhas têm a cria e não abortam.

[11] Deixam as suas crianças correr como um rebanho; os seus filhos saltam de alegria.

[12] Cantam com tamborim e harpa e alegram-se ao som da flauta.

[13] Passam os seus dias em prosperidade e em paz descem à sepultura.”

[14] “E são estes os que se dirigem a Deus, dizendo: ‘Deixa-nos em paz. Não queremos conhecer os teus caminhos.

[15] Quem é o Todo-Poderoso, para que o sirvamos? E o que ganhamos, se lhe fizermos orações?’

[16] Vejam que não provém deles a sua prosperidade. Longe de mim o conselho dos ímpios!”

[17] “Quantas vezes se apaga a lâmpada dos ímpios? Quantas vezes lhes sobrevém a destruição? Quantas vezes Deus, na sua ira, os faz sofrer?

[18] Quantas vezes são como a palha diante do vento e como a poeira que é levada pela tempestade?”

[19] “Vocês dizem que Deus reserva o castigo do perverso para os filhos dele. Mas é ao perverso que Deus deveria punir, para que o sinta.

[20] Seus próprios olhos devem ver a sua ruína; que ele beba do furor do Todo-Poderoso!

[21] Porque depois de morto, e acabada a contagem dos seus meses, que interessa a ele a sua casa?

[22] Será que alguém pode ensinar algo a Deus, a ele que julga os que estão nos céus?”

[23] “Um morre em pleno vigor, despreocupado e tranquilo,

[24] com os seus baldes cheios de leite e os ossos repletos de tutano.

[25] Outro, ao contrário, morre com o coração cheio de amargura, não havendo provado o bem.

[26] Juntamente jazem no pó, onde os vermes os cobrem.”

[27] “Eis que eu conheço os pensamentos de vocês e os planos injustos que fazem para me prejudicar.

[28] Porque vocês perguntam: ‘Onde está agora a casa do príncipe?’ E: ‘Onde ficou a tenda em que moravam os ímpios?’”

[29] “Será que vocês nunca interrogaram os que viajam? E não levaram em conta as suas declarações,

[30] que o mau é poupado no dia da calamidade, e é socorrido no dia do furor?

[31] Quem lhe jogará na cara o que ele fez? Quem o fará pagar pelo que fez?

[32] Finalmente, é levado à sepultura, e sobre o seu túmulo se faz vigilância.

[33] A terra do vale que o cobre é leve; todos os homens o seguem, assim como são inumeráveis os que foram adiante dele.

[34] Como, então, vocês querem me consolar com palavras vazias? Nas respostas de vocês só há falsidade.”

O Livro de Jó — Chapters