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Listen to this chapter • 4:11

[1] Não sou eu um homem livre? Não sou um apóstolo? Não vi também eu Jesus, nosso Senhor? Não é a vossa comunidade de fé fruto do meu trabalho?

[2] Se para outros eu não sou apóstolo, sou-o com toda a certeza para a vossa comunidade. A vossa fé é o selo que dá garantia ao meu apostolado.

[3] Com isto quero defender-me contra aqueles que me criticam.

[4] Não tenho eu o direito de comer e beber?

[5] Não tenho também o direito de levar comigo uma mulher crente, como fazem os outros apóstolos, os irmãos do Senhor e Pedro?

[6] Ou só eu e Barnabé é que temos de trabalhar para viver?

[7] Quem é que vai para a guerra à sua própria custa? Quem é que planta uma vinha e não come do seu fruto? Ou quem é que anda a guardar um rebanho e não se alimenta do leite desse rebanho?

[8] E isto que eu digo não é apenas uma opinião pessoal. Não é o que diz a Sagrada Escritura?

[9] Está escrito na Lei de Moisés: Não tapes a boca ao boi que faz a debulha. Será mesmo com os bois que Deus se está a preocupar aqui?

[10] Não é antes a nosso respeito que ele fala? Sim, isto foi escrito para nós. E significa que aquele que faz a sementeira tem o direito de esperar alguma coisa do que semeou e o que faz a debulha espera participar do produto da colheita.

[11] Se nós fizemos, para vosso benefício, a sementeira das coisas espirituais, que haveria de extraordinário se recolhêssemos daí alguns bens materiais?

[12] Se outros têm o direito de participar dos vossos bens, não temos nós ainda mais direito do que eles? Mas nunca quisemos fazer uso desse direito. Pelo contrário, suportámos tudo para não criar dificuldades à pregação da boa nova de Cristo.

[13] Não sabem que os que trabalham para o templo comem à custa do templo e os que vão apresentar as ofertas sobre o altar recebem uma parte dessas ofertas?

[14] Do mesmo modo, o Senhor determinou que aqueles que anunciam a boa nova vivam à custa desse trabalho.

[15] Mas eu nunca exigi isto a ninguém. Nem vos escrevo estas coisas com esse objectivo. Preferia morrer. Não quero que ninguém me tire este motivo de orgulho.

[16] E não é por anunciar o evangelho que eu me sinto orgulhoso. Isso é uma obrigação que eu tenho. Ai de mim se eu não anunciar a boa nova!

[17] Se o fizesse por minha iniciativa, podia ter um salário. Mas se não é por minha iniciativa é porque me sujeito a uma missão que me foi confiada,

[18] qual será então o meu salário? O meu salário é a satisfação de anunciar o evangelho sem exigir nada em troca, renunciando aos direitos que eu tenho.

[19] Sendo completamente livre diante de todos, fiz-me servo de todos, para poder converter para Cristo o maior número possível.

[20] Com os judeus portei-me como judeu, para os converter. Sujeitei-me à Lei de Moisés com aqueles que a cumprem, para os converter, mesmo sabendo que não estou obrigado a isso.

[21] Com gentios vivi como gentio para os converter. Mas não sou livre da lei de Deus; antes cumpro a lei de Cristo.

[22] Fiz-me fraco com os que são ainda fracos na fé, para os converter. Fiz-me tudo para todos, de modo que por todos os meios pudesse salvar alguns.

[23] Faço tudo isto por amor do evangelho, esperando ter parte nas suas promessas.

[24] Não sabem que no estádio todos os corredores tomam parte na corrida, mas só um é que recebe o prémio? Corram, portanto, de maneira a poderem recebê-lo.

[25] Aqueles que se preparam para uma competição privam-se de tudo. E fazem-no só para ver se conseguem um prémio que, afinal, dura pouco. Mas nós trabalhamos por um prémio que dura para sempre.

[26] É desta maneira que eu corro e não como quem corre sem saber para onde. É assim que eu luto e não como quem dá socos à toa.

[27] Mas eu luto contra o meu corpo, para o dominar, a fim de não acontecer que, andando a pregar aos outros, seja rejeitado por Deus.

Primeira Carta Aos Coríntios — Chapters