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Listen to this chapter • 8:11

[1] Naquele mesmo dia, saindo Jesus de casa, assentou-se à beira-mar;

[2] e grandes multidões se reuniram perto dele, de modo que entrou num barco e se assentou; e toda a multidão estava em pé na praia.

[3] E de muitas coisas lhes falou por parábolas e dizia: Eis que o semeador saiu a semear.

[4] E, ao semear, uma parte caiu à beira do caminho, e, vindo as aves, a comeram.

[5] Outra parte caiu em solo rochoso, onde a terra era pouca, e logo nasceu, visto não ser profunda a terra.

[6] Saindo, porém, o sol, a queimou; e, porque não tinha raiz, secou-se.

[7] Outra caiu entre os espinhos, e os espinhos cresceram e a sufocaram.

[8] Outra, enfim, caiu em boa terra e deu fruto: a cem, a sessenta e a trinta por um.

[9] Quem tem ouvidos [para ouvir], ouça.

[10] Então, se aproximaram os discípulos e lhe perguntaram: Por que lhes falas por parábolas?

[11] Ao que respondeu: Porque a vós outros é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas àqueles não lhes é isso concedido.

[12] Pois ao que tem se lhe dará, e terá em abundância; mas, ao que não tem, até o que tem lhe será tirado.

[13] Por isso, lhes falo por parábolas; porque, vendo, não veem; e, ouvindo, não ouvem, nem entendem.

[14] De sorte que neles se cumpre a profecia de Isaías: Ouvireis com os ouvidos e de nenhum modo entendereis; vereis com os olhos e de nenhum modo percebereis.

[15] Porque o coração deste povo está endurecido, de mau grado ouviram com os ouvidos e fecharam os olhos; para não suceder que vejam com os olhos, ouçam com os ouvidos, entendam com o coração, se convertam e sejam por mim curados.

[16] Bem-aventurados, porém, os vossos olhos, porque veem; e os vossos ouvidos, porque ouvem.

[17] Pois em verdade vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes e não viram; e ouvir o que ouvis e não ouviram.

[18] Atendei vós, pois, à parábola do semeador.

[19] A todos os que ouvem a palavra do reino e não a compreendem, vem o maligno e arrebata o que lhes foi semeado no coração. Este é o que foi semeado à beira do caminho.

[20] O que foi semeado em solo rochoso, esse é o que ouve a palavra e a recebe logo, com alegria;

[21] mas não tem raiz em si mesmo, sendo, antes, de pouca duração; em lhe chegando a angústia ou a perseguição por causa da palavra, logo se escandaliza.

[22] O que foi semeado entre os espinhos é o que ouve a palavra, porém os cuidados do mundo e a fascinação das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutífera.

[23] Mas o que foi semeado em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende; este frutifica e produz a cem, a sessenta e a trinta por um.

[24] Outra parábola lhes propôs, dizendo: O reino dos céus é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo;

[25] mas, enquanto os homens dormiam, veio o inimigo dele, semeou o joio no meio do trigo e retirou-se.

[26] E, quando a erva cresceu e produziu fruto, apareceu também o joio.

[27] Então, vindo os servos do dono da casa, lhe disseram: Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem, pois, o joio?

[28] Ele, porém, lhes respondeu: Um inimigo fez isso. Mas os servos lhe perguntaram: Queres que vamos e arranquemos o joio?

[29] Não! Replicou ele, para que, ao separar o joio, não arranqueis também com ele o trigo.

[30] Deixai-os crescer juntos até à colheita, e, no tempo da colheita, direi aos ceifeiros: ajuntai primeiro o joio, atai-o em feixes para ser queimado; mas o trigo, recolhei-o no meu celeiro.

[31] Outra parábola lhes propôs, dizendo: O reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda, que um homem tomou e plantou no seu campo;

[32] o qual é, na verdade, a menor de todas as sementes, e, crescida, é maior do que as hortaliças, e se faz árvore, de modo que as aves do céu vêm aninhar-se nos seus ramos.

[33] Disse-lhes outra parábola: O reino dos céus é semelhante ao fermento que uma mulher tomou e escondeu em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado.

[34] Todas estas coisas disse Jesus às multidões por parábolas e sem parábolas nada lhes dizia;

[35] para que se cumprisse o que foi dito por intermédio do profeta: Abrirei em parábolas a minha boca; publicarei coisas ocultas desde a criação [do mundo].

[36] Então, despedindo as multidões, foi Jesus para casa. E, chegando-se a ele os seus discípulos, disseram: Explica-nos a parábola do joio do campo.

[37] E ele respondeu: O que semeia a boa semente é o Filho do Homem;

[38] o campo é o mundo; a boa semente são os filhos do reino; o joio são os filhos do maligno;

[39] o inimigo que o semeou é o diabo; a ceifa é a consumação do século, e os ceifeiros são os anjos.

[40] Pois, assim como o joio é colhido e lançado ao fogo, assim será na consumação do século.

[41] Mandará o Filho do Homem os seus anjos, que ajuntarão do seu reino todos os escândalos e os que praticam a iniquidade

[42] e os lançarão na fornalha acesa; ali haverá choro e ranger de dentes.

[43] Então, os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai. Quem tem ouvidos [para ouvir], ouça.

[44] O reino dos céus é semelhante a um tesouro oculto no campo, o qual certo homem, tendo-o achado, escondeu. E, transbordante de alegria, vai, vende tudo o que tem e compra aquele campo.

[45] O reino dos céus é também semelhante a um que negocia e procura boas pérolas;

[46] e, tendo achado uma pérola de grande valor, vende tudo o que possui e a compra.

[47] O reino dos céus é ainda semelhante a uma rede que, lançada ao mar, recolhe peixes de toda espécie.

[48] E, quando já está cheia, os pescadores arrastam-na para a praia e, assentados, escolhem os bons para os cestos e os ruins deitam fora.

[49] Assim será na consumação do século: sairão os anjos, e separarão os maus dentre os justos,

[50] e os lançarão na fornalha acesa; ali haverá choro e ranger de dentes.

[51] Entendestes todas estas coisas? Responderam-lhe: Sim!

[52] Então, lhes disse: Por isso, todo escriba versado no reino dos céus é semelhante a um pai de família que tira do seu depósito coisas novas e coisas velhas.

[53] Tendo Jesus proferido estas parábolas, retirou-se dali.

[54] E, chegando à sua terra, ensinava-os na sinagoga, de tal sorte que se maravilhavam e diziam: Donde lhe vêm esta sabedoria e estes poderes miraculosos?

[55] Não é este o filho do carpinteiro? Não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos, Tiago, José, Simão e Judas?

[56] Não vivem entre nós todas as suas irmãs? Donde lhe vem, pois, tudo isto?

[57] E escandalizavam-se nele. Jesus, porém, lhes disse: Não há profeta sem honra, senão na sua terra e na sua casa.

[58] E não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles.

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