
Peça de teatro infantil moderniza legado de figura mítica da cultura muçulmana
Vida em França
O espectáculo de teatro e música “Nasr et Dinn, Deux Idiots Sublimes”, em português “Nasr e Dinn, Dois Idiotas Sublimes”, é o mais recente trabalho da actriz e encenadora Valérie da Mota, em parceria com Romans Suarez Pazos. Esta é uma peça de teatro infantil criada a partir das histórias de Nasreddine Hodja, uma figura mítica da cultura muçulmana, muito popular no Médio Oriente, que vai dando lições de vida, através de muito humor. Nesta adaptação, a personagem divide-se num duo travesso e tem também uma divertida e insolente versão feminina, interpretada por Valérie da Mota. Aqui ri-se de tudo e também se pode brincar com a religião, numa viagem metafórica sobre a tolerância e a aceitação dos outros e das suas diferenças.
Os “dois idiotas sublimes” viajam por terras e mares, do Magrebe à Galiza, à China ou à Mongólia, sempre acompanhados por um violino, música, histórias e desenhos dos cenários por onde passam, que vão sendo realizados e projectados no pano de fundo do palco.
“Nasr e Dinn, Dois Idiotas Sublimes” vai estar no Festival OFF de Avignon de 3 a 26 de Julho. Três anos depois de termos encontrado Valérie da Mota no Off de Avignon, com a peça “Marion 13 ans pour toujours”, fomos ver esta sua nova peça no Instituto do Mundo Árabe, em Paris, a 10 de Janeiro, e estivemos à conversa com a artista.
“O espectáculo é baseado nas histórias de Nasreddine Hodja, uma personagem muito conhecida em todo o Magrebe, no Médio Oriente e também até à China, até os países do Leste, mas aqui em França não é tão conhecida. É pena. É por isso que nós tínhamos esta vontade de fazer este espectáculo para dar a conhecer estas histórias muito antigas”, resume Valérie da Mota.
A artista sublinha que quiseram fazer “uma adaptação moderna destas histórias” e transformar o mítico mestre também numa mulher que representasse “a liberdade de actuar, de falar e a insolência”. Por outro lado, também quiseram mostrar que se pode rir, mesmo quando se fala de religiões, um assunto sensível em França.
Valérie da Mota faz questão de lembrar que “o teatro é uma ferramenta” que permite provocar o diálogo e a abertura para abraçar outras culturas.