Skip to content
Opens in a new window
Listen to this chapter • 9:39

[1] Depois disso, partiu Jesus para o outro lado do mar da Galileia, que é o de Tiberíades.

[2] E grande multidão o seguia, porque via os sinais que operava sobre os enfermos.

[3] E Jesus subiu ao monte e assentou-se ali com os seus discípulos.

[4] E a Páscoa, a festa dos judeus, estava próxima.

[5] Então, Jesus, levantando os olhos e vendo que uma grande multidão vinha ter com ele, disse a Filipe: Onde compraremos pão, para estes comerem?

[6] Mas dizia isso para o experimentar; porque ele bem sabia o que havia de fazer.

[7] Filipe respondeu-lhe: Duzentos dinheiros de pão não lhes bastarão, para que cada um deles tome um pouco.

[8] E um dos seus discípulos, André, irmão de Simão Pedro, disse-lhe:

[9] Está aqui um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos; mas que é isso para tantos?

[10] E disse Jesus: Mandai assentar os homens. E havia muita relva naquele lugar. Assentaram-se, pois, os homens em número de quase cinco mil.

[11] E Jesus tomou os pães e, havendo dado graças, repartiu-os pelos discípulos, e os discípulos, pelos que estavam assentados; e igualmente também os peixes, quanto eles queriam.

[12] E, quando estavam saciados, disse aos seus discípulos: Recolhei os pedaços que sobejaram, para que nada se perca.

[13] Recolheram-nos, pois, e encheram doze cestos de pedaços dos cinco pães de cevada, que sobejaram aos que haviam comido.

[14] Vendo, pois, aqueles homens o milagre que Jesus tinha feito, diziam: Este é, verdadeiramente, o profeta que devia vir ao mundo.

[15] Sabendo, pois, Jesus que haviam de vir arrebatá-lo, para o fazerem rei, tornou a retirar-se, ele só, para o monte.

[16] E, quando veio a tarde, os seus discípulos desceram para o mar.

[17] E, entrando no barco, passaram o mar em direção a Cafarnaum; e era já escuro, e ainda Jesus não tinha chegado perto deles.

[18] E o mar se levantou, porque um grande vento assoprava.

[19] E, tendo navegado uns vinte e cinco ou trinta estádios, viram Jesus andando sobre o mar e aproximando-se do barco, e temeram.

[20] Porém ele lhes disse: Sou eu; não temais.

[21] Então, eles, de boa mente, o receberam no barco; e logo o barco chegou à terra para onde iam.

[22] No dia seguinte, a multidão que estava do outro lado do mar, vendo que não havia ali mais do que um barquinho e que Jesus não entrara com seus discípulos naquele barquinho, mas que os seus discípulos tinham ido sós

[23] (contudo, outros barquinhos tinham chegado de Tiberíades, perto do lugar onde comeram o pão, havendo o Senhor dado graças);

[24] vendo, pois, a multidão que Jesus não estava ali, nem os seus discípulos, entraram eles também nos barcos e foram a Cafarnaum, em busca de Jesus.

[25] E, achando-o no outro lado do mar, disseram-lhe: Rabi, quando chegaste aqui?

[26] Jesus respondeu e disse-lhes: Na verdade, na verdade vos digo que me buscais não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes.

[27] Trabalhai não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do Homem vos dará, porque a este o Pai, Deus, o selou.

[28] Disseram-lhe, pois: Que faremos para executarmos as obras de Deus?

[29] Jesus respondeu e disse-lhes: A obra de Deus é esta: que creiais naquele que ele enviou.

[30] Disseram-lhe, pois: Que sinal, pois, fazes tu, para que o vejamos, e creiamos em ti? Que operas tu?

[31] Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: Deu-lhes a comer o pão do céu.

[32] Disse-lhes, pois, Jesus: Na verdade, na verdade vos digo que Moisés não vos deu o pão do céu, mas meu Pai vos dá o verdadeiro pão do céu.

[33] Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo.

[34] Disseram-lhe, pois: Senhor, dá-nos sempre desse pão.

[35] E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome; e quem crê em mim nunca terá sede.

[36] Mas já vos disse que também vós me vistes e, contudo, não credes.

[37] Tudo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora.

[38] Porque eu desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.

[39] E a vontade do Pai, que me enviou, é esta: que nenhum de todos aqueles que me deu se perca, mas que o ressuscite no último Dia.

[40] Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta: que todo aquele que vê o Filho e crê nele tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último Dia.

[41] Murmuravam, pois, dele os judeus, porque dissera: Eu sou o pão que desceu do céu.

[42] E diziam: Não é este Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe nós conhecemos? Como, pois, diz ele: Desci do céu?

[43] Respondeu, pois, Jesus e disse-lhes: Não murmureis entre vós.

[44] Ninguém pode vir a mim, se o Pai, que me enviou, o não trouxer; e eu o ressuscitarei no último Dia.

[45] Está escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus. Portanto, todo aquele que do Pai ouviu e aprendeu vem a mim.

[46] Não que alguém visse ao Pai, a não ser aquele que é de Deus; este tem visto ao Pai.

[47] Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim tem a vida eterna.

[48] Eu sou o pão da vida.

[49] Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram.

[50] Este é o pão que desce do céu, para que o que dele comer não morra.

[51] Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer desse pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo.

[52] Disputavam, pois, os judeus entre si, dizendo: Como nos pode dar este a sua carne a comer?

[53] Jesus, pois, lhes disse: Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos.

[54] Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último Dia.

[55] Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida.

[56] Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim, e eu, nele.

[57] Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim quem de mim se alimenta também viverá por mim.

[58] Este é o pão que desceu do céu; não é o caso de vossos pais, que comeram o maná e morreram; quem comer este pão viverá para sempre.

[59] Ele disse essas coisas na sinagoga, ensinando em Cafarnaum.

[60] Muitos, pois, dos seus discípulos, ouvindo isso, disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir?

[61] Sabendo, pois, Jesus em si mesmo que os seus discípulos murmuravam a respeito disso, disse-lhes: Isto vos escandaliza?

[62] Que seria, pois, se vísseis subir o Filho do Homem para onde primeiro estava?

[63] O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos disse são espírito e vida.

[64] Mas há alguns de vós que não creem. Porque bem sabia Jesus, desde o princípio, quem eram os que não criam e quem era o que o havia de entregar.

[65] E dizia: Por isso, eu vos disse que ninguém pode vir a mim, se por meu Pai lhe não for concedido.

[66] Desde então, muitos dos seus discípulos tornaram para trás e já não andavam com ele.

[67] Então, disse Jesus aos doze: Quereis vós também retirar-vos?

[68] Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna,

[69] e nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho de Deus.

[70] Respondeu-lhe Jesus: Não vos escolhi a vós os doze? E um de vós é um diabo.

[71] E isso dizia ele de Judas Iscariotes, filho de Simão, porque este o havia de entregar, sendo um dos doze.

João — Chapters