Rodrigo Paiva: Os bastidores da seleção brasileira

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Diretor de comunicação da CBF fala do status de popstar dos atletas, do abuso de álcool, do 7x1 e da Copa no Catar

“Quando eu comecei os jogadores eram ídolos, mas nunca foram popstars. Depois da conquista da Copa de 1994, daquele hiato de mais de vinte anos, houve uma transformação para algo além do popular”. Rodrigo Paiva iniciou a sua carreira durante a década de 1990, no Flamengo, como um dos primeiros assessores de imprensa do futebol brasileiro. Desde então, ele se tornou um importante homem dos bastidores da bola: esteve junto de Romário e Ronaldo Fenômeno quando estavam nos auges da carreira e também na seleção durante o título de 2002. Em 2014, viu o sonho de trabalhar em uma Copa no Brasil terminar na tragédia do 7x1 contra a Alemanha. Foi demitido da CBF e pela primeira vez procurou trabalhar fora dos campos. Hoje, após oito anos afastado, volta a ser o diretor de comunicação da seleção para um novo ciclo.
Com muitas histórias para contar, Rodrigo bateu um papo com o Trip FM sobre a sua volta para a CBF (ele viaja para o Catar na semana que vem), a despolitização da camisa da seleção e o uso de álcool pelos atletas entre outros assuntos. Confira no play, veja um trecho abaixo ou procure o episódio completo no Spotify.
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Trip. Você começou no Flamengo em um time de muitos ídolos, daquelas figuras do futebol que a gente sabe que podem ser incontroláveis. Com menos de trinta anos de idade, era difícil cuidar dessas pessoas?
Rodrigo Paiva. Quando eu comecei os jogadores eram ídolos, mas nunca foram popstars. Depois da conquista da Copa de 1994, daquele hiato de mais de vinte anos, houve uma transformação para algo além do popular.  Eles entraram no patamar dos atores de cinema, dos cantores de rock. Eu enxergo esse processo como natural. Não é só o jogador de futebol que mudou o comportamento, isso aconteceu até dentro da nossa casa. Essa geração é isso, você tem que olhar como algo normal.
O futebol e a seleção sempre estiveram envolvidos em um processo de manipulação política, desde a época da ditadura. Como a CBF vai fazer para despolitizar a camisa do Brasil? A CBF passa por um processo de transformação, de uma nova gestão, com – pela primeira vez – um presidente negro, nordestino, com uma visão de mundo diferente. A CBF tem um olhar para o que o mundo vê como relevante, como reduzir diferenças, combater o racismo, respeitar as liberdades de expressão e preservar o meio-ambiente. A questão da camisa brasileira passa por esse processo também. A camisa da seleção é de todos aqueles que construíram a história da seleção brasileira: pretos, brancos, indígenas... Ela pertence ao povo. Eu discordo de quem não quer vestir, pois aí você concorda que ela é um símbolo político, diferente do que de fato ela é: a camisa do país mais vencedor do futebol mundial.
Como alguém que esteve lá, o que você lembra do dia do 7x1? Eu não sei se você aprende mais com experiências exitosas ou de insucesso. Depois do 7x1 eu pensei ali, naquele ônibus, durante aquele silêncio, aquele choro, em como poderia ajudar. A gente recebia mil jornalistas por dia para cobrir a seleção: o planeta estava lá. Foi quando eu pensei que deveríamos encarar a imprensa no dia seguinte, o que não precisava. Foi a forma mais digna que a gente pode encarar: na vida você também tem esses imensos fracassos, mas a gente não fugiu.