
Conheça os sintomas da andropausa, a ‘menopausa masculina’, marcada pela queda da testosterona
Saúde em dia
A andropausa é um período caracterizado pela redução da secreção de testosterona no homem e traz sintomas como queda da libido, cansaço, riscos cardiovasculares, irritabilidade e ganho de peso.
Ao contrário da menopausa, que atinge todas as mulheres a partir dos 45 anos, a andropausa afeta uma proporção menor de homens mais velhos, explica o urologista François Desgrandchamps, professor da Universidade Paris Cité e chefe do setor no Hospital Saint-Louis, situado na capital francesa.
Segundo ele, a andropausa tem consequências diretas na saúde e no bem-estar masculino, mas os sintomas podem ser atenuados. “A andropausa é secundária ao envelhecimento do organismo e dos testículos, que secretam menos testosterona, mas também decorre do envelhecimento de todos os estímulos envolvidos na secreção dos testículos, a partir do encéfalo.” O encéfalo é uma das áreas cerebrais envolvidas na produção da testosterona.
O envelhecimento e a diminuição do hormônio masculino também geram ganho de peso. “A gordura se opõe à testosterona e a transforma em estriol, um hormônio feminino, e secreta também a leptina, substância que vai bloquear a produção da testosterona pelos testículos. Tudo isso faz com que a testosterona diminua com a idade, a partir dos 50 anos.”
De acordo com o urologista francês, seus pacientes nessa faixa etária buscam ajuda por outros problemas, como disfunções sexuais ou depressão. Esses sintomas tornam necessária a dosagem de testosterona para obter um diagnóstico preciso.
Falta de dados epidemiológicosSegundo ele, não há dados epidemiológicos sobre a ocorrência da andropausa, e isso dificulta a análise do fenômeno.
"Não existem dados e esse é justamente o problema da andropausa, que, além de ser um tabu, é simplesmente desconhecida", explica.
"Não sabemos qual é a taxa normal de testosterona no sangue de um homem a partir dos 50 anos, que no laboratório está estipulada entre 2 e 20 miligramas por mililitro. Se o paciente estiver com 5, é normal, mas um pouco baixo. Por isso não sabemos com exatidão, biologicamente, qual é a frequência da andropausa", diz.
De acordo com o especialista, entre 60% e 70% dos homens passam pela andropausa, com sintomas. "Temos sintomas típicos como uma diminuição da libido e das ereções, mas o questionário envolve outras oito questões, e se o paciente responder ‘sim’ a mais de três ou quatro delas, isso caracteriza a andropausa. É o que chamamos de score ADAM", explica o urologista.
Além das dificuldades sexuais, os sintomas da andropausa incluem falta de energia, perda de força muscular, resistência ao esforço, redução da estatura, perda do gosto pela vida, tristeza e irritabilidade. A diminuição da capacidade de trabalho e ter muito sono depois das refeições também são sinais de alerta.
Como eles são pouco específicos, muitos homens não procuram um médico, aos poucos se isolam e são tratados indevidamente como se tivessem desenvolvido uma depressão, alerta o especialista.
O problema é que os antidepressivos podem dificultar as ereções. "É uma espécie de espiral negativa que faz com que os homens se isolem na própria tristeza, sendo que, se tomassem a testosterona, voltariam a viver normalmente."
Andropausa ainda é tabuO médico francês orienta dar a testosterona, que pode ser administrada em forma de creme ou injeções, durante seis meses e avaliar os benefícios. Se uma melhora dos sintomas é observada, a terapia é mantida e a andropausa confirmada.
O francês Frédéric, de 57 anos, demorou para procurar um urologista. Hoje ele faz o tratamento de reposição hormonal, mas reconhece que as dificuldades sexuais geradas pela andropausa são um tabu para muitos homens.
"A virilidade para um homem é importante. Este é um tabu que precisa ser quebrado, mas, ao mesmo tempo, eu não estou pronto para assumir essa imagem de um homem que está chegando tranquilamente à velhice. Não estou pronto para isso", diz.
"Se eu posso dar um conselho, é o de não hesitar em falar com um médico. É algo muito íntimo e não devemos enfrentar isso sozinhos", recomenda.
Risco cardiovascularAo contrário das mulheres, o risco de doenças cardiovasculares não cresce com a andropausa. Mas estudos mostram que o tratamento de reposição da testosterona protege de algumas patologias, como a fibrilação atrial, caracterizada por uma atividade elétrica desorganizada nos átrios, fazendo com que eles não se contraiam de forma eficaz.
O tratamento de reposição hormonal seria também uma proteção contra o câncer de próstata, a depressão ou problemas cognitivos.