162 - Desprazer é movimento : a importância da ausência da felicidade
Psicanálise e Cultura
Neste episódio, eu convido você a pensar sobre algo que talvez pareça contraintuitivo: a importância do desprazer nas nossas vidas.
Vivemos num tempo em que a felicidade virou obrigação. Não basta estar vivo — é preciso estar radiante. Não basta sentir prazer — é preciso senti-lo o tempo todo, de preferência compartilhável. E quem não está bem? O problema é ele. Mas será mesmo?
Eu proponho um elogio do desprazer. Não como apologia do sofrimento, mas como reconhecimento de que a falta, o tédio, o vazio e o incômodo são partes constitutivas da vida psíquica — e, mais do que isso, são o que nos move, nos faz escolher e nos torna quem somos.
Ao longo do episódio, eu explico o que é a falta para a psicanálise, distingo falta de vazio, e mostro como a internet e a cultura do prazer imediato nos roubaram o tédio — esse espaço fecundo onde a experiência se choca e o desejo nasce. Passo por Freud, Lacan, Sara Ahmed, Domenico De Masi e Walter Benjamin para conversar sobre como habitar o desconforto em vez de fugir dele.
É uma reflexão leve e profunda sobre por que nem tudo precisa ser prazer — e sobre como o incômodo pode ser, paradoxalmente, o que nos faz escolher melhor.