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Notícias e entrevistas sobre futebol, tênis, vôlei, Fórmula 1... Espaço aberto para a cobertura exclusiva dos grandes torneios franceses e europeus. Destaque para a atuação dos atletas brasileiros na Europa.
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15 May 2022

"Deixei meu nome na história do Nantes”, diz zagueiro brasileiro campeão da Copa da França

RFI Brasil
O zagueiro Andrei Girotto foi um dos destaques da conquista do Nantes, que ergueu o troféu de campeão da Copa da França após a vitória de 1 a 0 na final contra o Nice, no sábado (7). A conquista marcou o fim de um longo jejum de 22 anos sem títulos para o time. “Com esse título fico feliz por estar coroando e festejando esse título com os torcedores, porque eles merecem”, diz o brasileiro ao se referir às mais de duas décadas de espera do clube para celebrar uma conquista nacional. Girotto diz ter ficado emocionado com a festa da torcida amarela no Stade de France, local da final, e também na volta da equipe à cidade do noroeste da França, quando foram homenageados nas ruas no dia seguinte ao jogo, durante a apresentação do troféu aos torcedores na cidade. “Vendo a festa que eles fizeram no estádio e na nossa volta a Nantes, eles merecem esse título e fico feliz por fazer parte da história desse clube maravilhoso”, destacou o brasileiro que chegou a ser criticado pela torcida, mas superou essa fase e mantém hoje uma forte sintonia com os torcedores. “A relação é de muito carinho. Depois de cinco anos, a gente cria um laço grande e, depois desse título, eu pude deixar meu nome na história do Nantes”.     De volante a zagueiro O gaúcho de 30 anos chegou ao Nantes em 2017 contratado junto à Chapecoense e desembarcou com uma legião de brasileiros, incluindo Diegos Carlos e Lucas Lima, que já deixaram o time. Nas duas primeiras temporadas atuou como volante da equipe, mas passou a zagueiro por sugestão do ex-treinador Christian Gourcouff, que ao assumir a equipe na temporada 2019/2020, quis valorizar suas características e mudá-lo de posição. Sua altura, 1m86, assim como seu estilo de volante mais defensivo, encaixavam na filosofia do treinador. “O Gourcouff viu na minha estatura e nas qualidades de defesa um perfil para sua estratégia de saída de bola pela defesa. Ele me propôs logo no primeiro treino e aceitei na hora. Sempre gostei desta posição e hoje me sinto um zagueiro”, diz, satisfeito. A conquista da Copa da França veio coroar a melhor temporada do clube nos últimos anos. Os canaris (canarinhos, em português), em referência à cor amarela e verde do clube, venceram o PSG no campeonato e fizeram jogos memoráveis, como a virada contra o Lens e a vitória sobre o rival Rennes, da mesma região. Graças à vitória na Copa da França, o Nantes vai disputar o Troféu dos Campeões e voltar a participar de uma competição europeia, o que não acontecia desde 2004. A vaga na Liga Europa na próxima temporada está garantida, o que motiva ainda mais o brasileiro a ficar na equipe com quem tem contrato até 2024. “Depois de um longo tempo, o clube volta a uma competição neste nível. A Liga Europa vai ser muito importante para os torcedores, para o clube e para os torcedores também. É uma satisfação jogar um campeonato deste tamanho, com grandes equipes”, afirmou.
08 May 2022

"Vai ser fantástico", diz Ancelotti sobre final da Liga dos Campeões entre Real Madrid e Liverpool

RFI Brasil
A incrível classificação do Real Madrid para a final da Liga dos Campeões da Europa nesta temporada 2021/2022, após uma virada surpreendente contra o Manchester City, já entrou para a antologia do futebol. O treinador do clube merengue, Carlo Ancelotti, que atinge o recorde de cinco finais da competição, prevê uma decisão histórica. Um grande time, com uma história repleta de títulos e craques, e com uma torcida vibrante num estádio mítico: o Santiago Bernabéu, palco de tantas glórias de um clube eleito o melhor do século 20, segundo a Fifa. O peso de toda essa tradição explica em grande parte a força coletiva de uma equipe que mostrou grande capacidade de superação e reviravolta nas últimas três rodadas da Liga dos Campeões. A classificação do clube merengue para mais uma final da Champions já entrou nos anais da mais importante competição interclubes europeia. A sequência extraordinária começou nas oitavas de final. O Real Madrid perdia para o PSG em casa, e conseguiu uma virada em poucos minutos graças ao francês Benzema, autor dos três gols da vitória de 3 a 1 sobre o clube francês. O resultado garantiu a passagem do time espanhol passou para as quartas. O adversário seguinte foi o Chelsea e o enredo se repetiu. Depois de vencer a primeira partida por 3 a 1, em Londres, o Real Madrid perdia por 3 a 0, e seria eliminado, até que o brasileiro Rodrygo diminuiu e Benzema marcou nos instantes finais da partida. Apesar da derrota por 3 a 2, o resultado classificou o time merengue pelo saldo de gols. Na última quarta-feira (4), a história seguiu um roteiro muito parecido. Depois da derrota por 4 a 3 no primeiro jogo contra o Manchester City, o Real perdia por 1 a 0, em casa, até que o brasileiro Rodrygo marcou duas vezes, nos minutos finais da partida, levando  o jogo para a prorrogação. Logo no início, Benzema marcou o gol da vitória que garantiu mais uma vez a vaga do clube espanhol na final. O goleiro belga Thibault Courtois confessou que foi uma vitória ainda mais "louca" do que as anteriores, em uma entrevista à emissora francesa RMC, na saída do gramado. “Foi no último momento. É incrível viver algo assim. É por isso que sou jogador de futebol, que sonhamos em jogar em um clube como esse, para viver momentos assim, emocionantes”, disse. A classificação heroica rendeu manchetes inusitadas na imprensa espanhola. “Que Deus venha e explique”, estampou o jornal Marca em sua manchete, ao se referir a mais um “milagre” no estádio Santiago Bernabéu.   "Incrível. Mais uma remontada surpreendente quando o time estava nocauteado", escreveu o jornal Sport. Na Itália, a imprensa ressaltou, depois do jogo, o grande arquiteto dessa brilhante campanha: o treinador Carlo Ancelotti. O diário especializado Gazeta dello Sport cravou: "Ancelotti entrou para a lenda deste esporte". Aos 72 anos, o italiano ganhou títulos nas cinco principais ligas europeias: Espanha, Itália, França, Alemanha e Inglaterra. Recorde de finais Quando entrar no Stade de France, no próximo dia 28 de maio para a decisão contra o Liverpool, Ancelotti vai disputar sua quinta final da competição, um novo recorde. Ele ultrapassa, assim, os treinadores Alex Fergusson, Marcello Lippi e Jurgen Klopp, que somam quatro. Com sua experiência, e tendo já passado outras vezes pelo banco do Real Madrid, ao final do jogo contra o Manchester City, Ancelotti não soube muito bem explicar o que fez o time merengue ser capaz de reverter situações consideradas perdidas e dar a volta por cima, quando ninguém mais parece acreditar na vitória. “É difícil dizer o porquê. Acho que faz parte da história desse clube que você deve persistir, mesmo quando as coisas parecem não ter mais jeito", afirmou pensativo. "É verdade que o jogo estava quase para terminar e tivemos que usar as últimas energias que tínhamos", acrescentou. "Acho que jogamos muito bem contra um adversário muito forte", analisa. "Depois de conseguirmos empatar o jogo, estivemos psicologicamente melhor na prorrogação", justificou. Força mental Para o consultor e jornalista francês Hervé Penot, os jogadores do Real Madrid devem se preparar, porque na decisão contra o Liverpool terão um rival com as mesmas qualidades. “Se eles são melhores que os outros ou não, é complicado dizer", avalia o jornalista. "O que é certo é que eles têm uma grande força mental, têm a impressão de serem protegidos por Deus, como diz a imprensa espanhola", observa Penot. "Mas o Liverpool também tem a mesma força mental”, frisa o francês. O treinador Ancelotti prevê um duelo épico contra o Liverpool. Os dois times se enfrentaram na decisão de 2018, com vitória do Real Madrid por 3 a 1. O clube merengue busca o 14° troféu da competição de elite. Para o italiano, uma coisa é certa: o mundo do futebol sabe o que pode esperar dessa decisão. “Vai ser fantástico, um desafio imenso e estou muito feliz de estar na final", diz Ancelotti. "Acho que vai ser um jogo fantástico para os fãs de futebol”, conclui.
01 May 2022

Brasileiros do Olympique de Marselha: “faremos o máximo para estar na Liga dos Campeões”

RFI Brasil
Nesta reta final do campeonato francês, a briga agora é para garantir uma vaga nas competições internacionais europeias. O Olympique de Marselha, dos brasileiros Gerson e Luan Peres, é o favorito para ser vice-campeão e garantir a segunda vaga na Liga dos Campeões. Há uma semana, o PSG conquistava seu 10° título de campeão francês em um clima de pouco entusiasmo por parte de sua torcida, revoltada pelo desempenho da equipe abaixo das expectativas na temporada. Eliminado nas oitavas de final da Liga do Campeões e também na Copa da França, o Paris Saint-Germain já se projeta para a próxima temporada, tendo como maior preocupação renovar o contrato de seu jogador mais decisivo: Kylian Mbappé, artilheiro absoluto do campeonato francês com 22 gols. Enquanto isso, outros times franceses encaram os últimos jogos do campeoanto como decisivos para garantir vagas nas próximas competições europeias. Faltando quatro rodadas para o final do campeonato francês, seis equipes mantém, matematicamente, chances e a esperança de terminar no segundo lugar do pódio, o que significa garantir uma vaga direta para a Liga dos Campeões: Olympique de Marselha, Rennes, Mônaco, Nice, Strasbourg e Lens. Com 75 pontos, seis a mais do que adversários mais próximos, o Olympique de Marselha, que neste domingo enfrenta o Lyon no seu belo estádio Vélodrome, tem maior vantagem. Uma vitória deixa o time ainda mais perto de um de seus objetivos neste final da temporada. E para isso, conta com um de seus reforços mais importantes: o meia atacante brasileiro Gerson. Ex-Flamengo, ele foi a terceira contratação mais cara da equipe, € 22 milhões, mais de R$ 113 milhões. Depois de um início complicado, o meia de 24 anos está mais solto e adaptado ao time marselhês. Foi dele o gol da vitória do Olympique sobre o Reims por 1 a 0, no último domingo, na casa do adversário. Para o diário esportivo L’Équipe, Gerson está "mais sereno, decisivo" e se tornou um "jogador indispensável" para o time treinado pelo argentino Jorge Sampaoli, que exigiu a compra do brasileiro quando desembarcou em Marselha.  “Temos nossos objetivos, temos que continuar concentrados para a equipe ficar mais forte ainda e nosso time está bonito de ver”, disse Gerson à RFI após o jogo em Reims. Gerson falou do momento no clube, que pode ser também visto como reflexo de sua vida pessoal. "Estou em um bom momento, me sentindo bem, em casa, no clube com meus companheiros também. Minha família está bem e estou muito feliz”, afirmou. Apoio brasileiro Gerson pode ainda contar com outro brasileiro entre os companheiros de equipe, o zagueiro Luan Peres.  Contratado junto ao Santos, Luan alterna presença entre os titulares ou no banco de reservas. Ele diz ter consciência de que nesta reta final, o time de Marselha não pode bobear se quiser garantir sua vaga na próxima Liga dos Campeões. “Temos quatro jogos pela frente, uma vantagem de seis pontos, mas nada definido ainda. Temos que manter esse ritmo. Vamos fazer o máximo para classificar para a próxima Liga dos Campeões”, disse. Além do campeonato francês, o Olympique de Marselha também disputa a semifinal da Liga Europa Conference contra o holandês Feyenoord que venceu o primeiro jogo na quinta-feira por 3 a 2.  O Marselha recebe na semana que vem o adversário holandês e precisa vencer para tenhar chegar à final de uma competição europeia, o que não acontece desde 1993. Luan confessa que desde que chegou ao Olympique de Marselha, em julho do ano passado, já tinha consciência das cobranças do clube, que é um dos principais da França. “O Olympique de Marselha é um time grande e mesmo que não tivéssemos brigando pela final da Liga Europa Conference e por uma vaga na Liga dos Campeões, teríamos pressão, pois é um time grande, gigante, como sua torcida. É isso é bom. Quem joga em time grande tem que estar acostumado com isso”, revela. Depois de enfrentar neste domingo o Lyon em seu estádio, o Olympique de Marselha volta a campo e terá como adversários o Lorient, o Rennes e o Strasbourg na última rodada do campeonato francês. (Colaboração de Marco Martins)
24 April 2022

PSG celebra 10° título de campeão francês com boicote de parte dos torcedores

RFI Brasil
O momento foi histórico. o PSG conquistou na noite deste sábado (24) o 10° título do campeonato francês ao empatar em 1 a 1 com o Lens, em Paris. Mas o clima para parte dos torcedores do PSG foi de pouca festa e houve boicote da torcida para celebrar com os jogadores. Logo na apresentação dos titulares, muitos aplausos para o ídolo Mbappé e vaias para o treinador Mauricio Pochettino, um dos alvos da ira dos torcedores desde a derrota para o Real Madrid e eliminação nas oitavas de final da Liga dos Campeões, o grande sonho do PSG. O time ainda foi eliminado da Copa da França, e só sobrou a conquista do título do campeonato francês. Para o jogo contra o Lens no Parque dos Príncipes, parte da torcida organizada da tribuna Auteuil recebeu o time com uma faixa virada e ficou em silêncio durante o jogo, deixando até as arquibancadas antes do final da partida para esperar o fim do jogo fora do estádio. A celebração do título foi feita com fogos, mas nos arredores do Parque dos Príncipes, longe dos jogadores no gramado. Empate bastava Para o PSG, bastava um empate para o time ser campeão francês com 4 rodadas de antecipação. O time contou com a força de seu trio ofensivo, Mbappé , Neymar e Messi. O argentino foi o autor do belo gol parisiense, mas o Lens empatou no final, a dois minutos do final do tempo regulamentar, estragando uma comemoração que já não tinha muito clima. Com o empate de 1 a 1, o PSG chegou a 78 pontos e não pode mais ser alcançado pelo vice, o Olympique de Marselha. Até os brasileiros de passagem por Paris e que viram o jogo, estranharam a falta de comemoração efusiva por parte da torcida parisiense. “Eu achei tão desanimado;; tinha até torcedores de outro time (Lens) na arquibancada ao lado. E eles estavam muito mais animados. Eu nem sabia que eles iam ser campeões, mas fiquei chocado por que eles não estavam animados, foram embora logo. Eu estava mais animada que eles”, disse a  estudante pernambucana Maria Tereza Graciliano. Seu primo, Antonio Henrique Pimentel, também reparou na falta de clima. “São campeões, mas sem vitória no jogo. Eu nem entendo muito o francês, mas eu percebi eles cantando: ‘se quiser troféu, tem que ganhar”, relatou. Para o paranaense Leonardo dos Santos, o empate em 1 a 1 foi determinante para estragar ainda mais o clima pouco festivo. “Foi frustrante porque foram campeões, mas sem ganhar. O time que empatou está mais feliz porque não perderam. No bBrasil, a gente fala que ‘carimbou a faixa’”. Muitos jogadores postaram nas redes sociais, imagens da comemoração do título nos vestiários. O astro da equipe Kylian Mbappé , disse aos jornalistas que não se importou com a reação do que chamou de uma minoria de torcedores . “São eles que decidem, ninguém pode obriga-los a fazer festa, nós ganhamos e estamos contentes”, disse aos jornalistas após a partida.   O diretor esportivo Leonardo, diz entender a reação de parte da torcida. “Tínhamos uma expectativa muito grande para essa temporada e fomos eliminados nas oitavas de final (da Liga dos campeões), o que foi uma grande surpresa. Foi uma sensação muito ruim e isso é mais difícil de administrar”, afirmou.   “Temos que tentar entender, a manifestação (dos torcedores)  é legítima, principalmente sem violência. Foi uma posição tomada e temos que tentar entender e justamente o que queremos viver é o contrário”, acrescentou. O clube prepara uma festa do título no dia 21 de maio quando recebe o Metz no último jogo do campeonato. Esperando que até lá, os torcedores tenham mais vontade de celebrar o feito histórico já que o PSG se tornou junta com o Saint-Etienne, o clube com o maior número de título do campeonato francês.
17 April 2022

"Os estádios são perfeitos e os gramados incríveis", diz jogador brasileiro que atua no Catar

RFI Brasil
A revelação da música tema, "Hayya Hayya", e o sorteio dos grupos da primeira fase marcaram uma nova etapa da Copa do Mundo do Catar, que vai envolvendo atletas, dirigentes, mas também os torcedores e os moradores do pequeno emirado do Golfo Pérsico.  Aos poucos, os olhares vão se voltando para o país que vai acolher de 21 de novembro a 18 de dezembro a Copa do Mundo, que reunirá a elite do futebol mundial. Há muitos anos, o Catar usa o futebol como vitrine, investindo na compra de times como o PSG, de Neymar e Messi. Agora, com o Mundial, o próprio país vai estar no foco das atenções. A estratégia dos últimos anos também tem sido atrair muitos jogadores para atuar no campeonato local. Pelos gramados cataris, já passaram nomes como Juninho Pernambucano, Nilmar, Romarinho e até Emerson Sheik, que se naturalizou e atuou pela seleção nacional do Catar.  Muitos brasileiros continuam fascinados pela oportunidade de jogar no país que atrai muitos estrangeiros com o claro objetivo de elevar o nível do futebol. O atacante brasileiro Rafael Ramazotti recém desembarcou no país da Copa. Formado pelo Palmeiras e com passagens pelo Bragantino, no futebol brasileiro, aos 33 anos, ele defende o Muaither SC desde fevereiro, quando foi transferido de um clube de Gibraltar. Com a experiência de quem começou a carreira no Brasil, mas passou pelos gramados de muitos países como Portugal, Indonésia, Coreia do Sul e até México, Ramazotti diz ter se surpreendido com a evolução do futebol local, que continua atraindo muitos jogadores conhecidos mundialmente. “Os clubes são bons, as estruturas são boas, e o nível não é fácil. Claro que não dá para comparar com a primeira divisão de Portugal, do Brasil com os jogadores locais, mas tem muitos estrangeiros aqui que são craques, como [o colombiano] James Rodriguez. O nível é melhor do que eu esperava”, diz. "Os estádios todos são perfeitos, o maravilhosos e os gramados incríveis. Neste sentido, a Copa vai ser boa demais", afirma. Apesar de viver no país por pouco tempo, Rafael Ramazotti aconselha os torcedores a fazerem as malas e curtir a Copa do Mundo pois o país terá muito mais que belos estádios, novinhos e folha, para oferecer aos visitantes. “O Catar é um país muito bonito, mas um pouco menos agora porque tem muita coisa em obra e em construção. Não é um país tão aberto quanto Dubai. Apesar de ser muçulmano, as pessoas vão conseguir desfrutar disso aqui”, garante. (Colaboração de Marco Martins)
03 April 2022

Na busca pelo hexa, Brasil repete adversários europeus, e Tite vê “mental mais equilibrado”

RFI Brasil
Com a definição dos grupos da primeira fase da Copa do Mundo de 2022, a seleção brasileira conheceu os seus três primeiros adversários na busca pelo hexacampeonato no Catar. Por uma coincidência, Sérvia e Suíça caíram novamente no grupo do Brasil, assim como já tinha acontecido na última Copa, em 2018, na Rússia. Desta vez, Camarões completa o grupo G. Tiago Leme, correspondente da RFI em Doha Após o sorteio realizado na última sexta-feira (1°) em Doha, o técnico Tite destacou a força dessas equipes. Nas eliminatórias europeias, os sérvios terminaram em primeiro lugar do grupo que tinha Portugal, e os suíços mandaram para a repescagem a Itália, que acabou ficando fora da Copa. Tite evitou analisar especificamente os adversários neste momento, mas brincou com a situação de reencontrar esses adversários de quatro anos atrás. "A primeira reação que eu tive foi: 'novidade não vai ser'. Só faltava ser a Costa Rica também, mas aí é impossível, vai ter que jogar na loteria e ganhar, se repetisse o mesmo grupo. Eu particularmente tive esse sentimento. Mas outro sentimento fora esse eu não tenho. Agora sim eu vou aprofundar, agora nós temos um grupo de trabalho, inclusive com todos os acompanhamentos, de todas as seleções que a gente fez com os analistas. Então a gente já tem o material, e agora eu vou aprofundar em cima disso", afirmou. Treinador da seleção brasileira desde 2016, Tite vai disputar a sua segunda Copa. Em 2018, foi eliminado nas quartas de final ao perder para a Bélgica. Segundo ele, essa experiência anterior faz com que ele e o time cheguem este ano no Catar mais preparados na tentativa de conquistar a tão sonhada taça. "Mental equilibrado" "Uma naturalidade maior, uma consciência maior. A adrenalina e a expectativa são um pouco mais elaboradas, o aspecto mental é um pouco mais equilibrado. Equilibrado na vida não é só o futebol, equilibrado é o nosso dia a dia. A relação com meus filhos, com minha esposa, com meus irmãos, é desafiador. Um pouquinho mais de experiência para ter um pouco mais de naturalidade", explicou Tite. Auxiliar técnico da seleção, Cléber Xavier lembrou o fato de que, apesar de serem os mesmos adversários europeus da primeira fase na Rússia, houve mudança de treinadores nessas seleções. Atualmente, a Sérvia é comandada por Dragan Stojkovic, a Suíça tem Murat Yakin como técnico, e Camarões é treinado por Rigoberg Song. “É interessante que quando a gente fala que essas equipes tiveram bons resultados, as três equipes, mas as três com novos comandantes, com novos trabalhos, trabalhos positivos com esses resultados. O que a gente tem que fazer agora é cuidar do nosso trabalho, como o Tite falou e paralelamente aprofundar o conhecimento sobre essas equipes. O que passou, passou. São novos comandantes, tem atletas novos surgindo, assim como estão surgindo na nossa seleção”, disse Cléber. Na preparação para o Mundial, a CBF e a comissão técnica lamentaram mais uma vez a dificuldade de marcar amistosos contra equipes da Europa. Com isso, o Brasil deve encarar em junho a Argentina, em jogo que foi suspenso pelas eliminatórias, e provavelmente Japão e Coreia do Sul. Coordenador da seleção, Juninho Paulista explicou a situação. "A gente sempre quer esses jogos contra europeus, o problema é que a agenda deles está cheia. Eles vão ter Nations League em junho e em setembro. Então, a gente gostaria, mas a tabela, os compromissos deles não nos deixam", afirmou. O Brasil estreia  na Copa de 2022 no dia 24 de novembro, contra a Sérvia. Depois, joga contra a Suíça em 28 de novembro, e pega Camarões em 1º de dezembro. Entre os outros grupos de destaque, a atual campeã mundial França vai enfrentar Dinamarca, Tunísia e uma equipe que vem do playoff intercontinental [vencedor entre Austrália e Emirados Árabes Unidos x Peru]. Já a rival Argentina terá pela frente Arábia Saudita, México e Polônia. A abertura será no dia 21 de novembro, quando o anfitrião Catar duela com o Equador.
27 March 2022

Aposentadoria precoce da n° 1 do tênis reacende discussão sobre saúde mental de atletas

RFI Brasil
Aos 25 anos e já aposentada. A australiana Ashleigh Barty, número 1 do ranking da WTA, surpreendeu o mundo ao anunciar que não disputaria mais partidas do tênis profissional. Depois de vencer 15 títulos de simples, sendo três de Grand Slam - o Aberto da França em 2019, Wimbledon em 2021 e o Aberto da Austrália, este ano - ela confessou estar exausta. O anúncio chama atenção para dificuldades físicas e psicológicas de outros atletas profissionais. “Eu não tenho mais a disposição física, emocional e tudo o que é necessário para você se desafiar no mais alto nível”, revelou Barty na despedida. Burnout? Depressão? Logo surgiram muitas interpretações para a decisão. O psicólogo francês especializado em esporte Makis Chamalidis aponta a conjuntura atual. “Podemos dizer que, hoje em dia, manter-se no topo com tudo o que vivemos, como a epidemia de Covid-19, o confinamento e todo o desgaste, consome muita energia e visivelmente isso não é mais uma prioridade para a atleta”, observa. Numa mensagem de vídeo em que aparece chorosa ao lado da amiga e ex-parceira de duplas Casey Dellacqua, Barty agradeceu por tudo o que viveu nas quadras. “Estou tão feliz, realizada e, no meu coração, sei que isso é o certo. Estou muito agradecida por tudo o que o tênis me deu, todos os meus sonhos e mais. Mas sei que agora é a hora certa para eu me afastar e perseguir outros sonhos e largar as raquetes", concluiu. Com o título histórico em Roland Garros, Barty se tornou a primeira australiana número 1 do mundo desde Evonne Goolagong-Cawley, que chegou ao topo em 1971. O mundo do tênis recebeu a notícia de sua aposentadoria precoce com surpresa. "Obrigada por ser uma embaixadora incrível para este esporte e para as mulheres em todo o mundo", tuitou a WTA. "Nós vamos sentir tanto a sua falta, Ash". "Parabéns pela carreira incrível, Ash. Foi um privilégio dividir a quadra com você", escreveu a tcheca Karolina Pliskova, derrotada por Barty na final de Wimbledon, no ano passado. "Minha amiga, sentirei a sua falta no circuito. Você era especial e compartilhamos momentos incríveis", publicou, no Twitter, a romena Simona Halep, ex-número 1 do mundo. "Seja feliz e aproveite sua vida ao máximo". "Feliz por Barty, triste pelo tênis", comentou, em sua rede social, o britânico Andy Murray. O fenômeno, no entanto, não é novo. Em 2008, a tenista belga Justine Henin anunciou, em uma conferência de imprensa, que se retirava do circuito profissional de maneira definitiva e irrevogável. Era a primeira vez que uma tenista encerrava sua carreira enquanto número 1 mundial. Ao se retirar das quadras, a atleta acumulava 5.695 pontos na classificação da WTA. A segunda colocada, Maria Sharapova, tinha, então, 3.986. “É o atleta que decide o seu ritmo de vida. Às vezes, é melhor parar no auge do que jogar dois ou três anos a mais. O importante é que seja uma decisão bem pensada e amadurecida”, completa Makis Chamalidis. Desgaste físico faz parte da rotina de atletas profissionais Com experiência de quem já foi jogadora de futebol e médica da seleção brasileira feminina militar, duas vezes campeã mundial, a ortopedista carioca Daniela Hauila diz não ter se surpreendido com a decisão da tenista Ashleigh Barty. “O cansaço é físico e mental. Ela começou a jogar aos 7, 8 anos de idade, então, tem uma carreira de quase 20 anos. E esporte é abnegação, rotina e sobrecarga física. Não existe esportista de alto rendimento que não tenha dor”, explica a médica do esporte. “Como ela chegou ao topo no tênis, ela se achou no direito, provavelmente, de dizer que já tinha dado tudo para o esporte e queria se dedicar para si mesma”, avalia. “Acordar todos os dias as 5 horas da manhã, ter uma rotina que as pessoas julgam saudável, mas que não traz saúde para o corpo porque você está sobrecarregando o corpo, que é utilizado ao máximo, não me surpreende a pessoa querer sair disso”, acrescenta.    Com passagem pelo clube Vasco da Gama e atualmente coordenadora do departamento médico do Botafogo, ambos do Rio de Janeiro, Daniela Hauila explica que o desafio da medicina do esporte é evitar lesões pelo desgaste inevitável. “A medicina do exporte preconiza o diagnóstico precoce de lesões, incluindo a parte hormonal. O preparo físico do atleta sempre é com sobrecarga, em tendões, músculos, cartilagens”, conclui.   Saúde mental e depressão Para o fisioterapeuta Márcio Renzo, com pós-graduação em psicologia e psicanálise, o caso de Ashleigh Barty lembra os de outros atletas que causaram espanto ao admitirem dificuldades em suas carreiras. “O caso dela é bem parecido com o do nadador Michael Phelps”, compara. O americano, que conquistou 37 recordes mundiais, não escondeu suas fraquezas. “Na Olimpíada de 2016, ele ganhou cinco medalhas de ouro e foi quando ele se pronunciou sobre a depressão que vinha sentindo e, neste ano, teve até pensamentos suicidas”, cita.   “E como imaginar que um atleta como Michael Phelps, com 28 medalhas olímpicas, 23 de ouro, tem problemas de depressão? Ele é uma referência do esporte de alta performance, mas teve o problema também”, diz Renzo, antes de citar outro exemplo marcante. “A Simone Biles, com toda a expectativa que foi colocada em cima dela na Olimpíada de 2020, teve este mesmo problema, desistiu por causa da saúde mental”, acrescenta. Preservar a saúde mental foi o principal motivo que fez a atleta da ginástica artística dos Estados Unidos Simone Biles desistir de cinco finais nas Olimpíadas de Tóquio. A ginasta diz ter abandonado a competição para não afetar o desempenho das companheiras de equipe. “O problema está na idealização. Você acha que o atleta de alto nível tem a mente blindada, mas, na verdade, há uma subnotificação muito grande porque é um tabu essa questão da saúde mental na sociedade e dentro do esporte mais ainda”, comenta o especialista. Renzo observa que o peso maior recai sobre atletas de modalidades individuais. “Quando você tem um fracasso no coletivo, você acaba diluindo entre as pessoas, enquanto no individual, ela acha que a culpa de não alcançar as metas é toda dela”, afirma. “A partir da Olimpíada de Tóquio a questão da saúde mental ficou mais nítida e o Comitê Olímpico distribuiu cartilhas informando sobre essa situação. E a gente vê como as federações americanas e inglesas tinham profissionais de saúde mental nas equipes”, observa. Outra questão, alerta Renzo, é a pressão de patrocinadores. “Essa coisa de o atleta não poder falar porque pode ser prejudicado na carreira, colocado no banco, muitas vezes, ele acaba deixando o problema de lado. E tem a questão do patrocínio também. Assumir essa fraqueza, ter uma redução do seu desempenho, acaba tendo reflexo na questão financeira”, diz. O especialista ensina a identificar os primeiros sinais de que algo não vai bem. "Os sinais são que os atletas começam a sentir aquele quadro depressivo, ou ficam ansiosos ou estressados demais. Demonstram irritabilidade. E eles tendem a acabar caindo para o uso de substâncias", diz o fisioterapeuta. "A equipe técnica tem que ter uma preocupação maior, tratar o atleta como uma pessoa. Valorizar o ser humano por trás do atleta", acrescenta. “Um pouco de ansiedade é normal, mas quando chega a desenvolver síndrome do pânico e outros quadros ansiolíticos e isso começa a afetar o rendimento, ele deve procurar ajuda profissional”, conclui.
20 March 2022

Conheça a trajetória de Benzema, o maior artilheiro do futebol francês

RFI Brasil
Karim Mostafa Benzema, 34 anos, é o maior artilheiro do futebol francês na história. Nesta temporada, o camisa 9 do Real Madrid alcançou 413 gols na carreira, entre clubes e seleções, batendo o recorde, até então, de Thierry Henry, por dois gols de diferença. A biografia do craque será lançada na França na próxima quarta-feira (23) e a RFI conversou com um dos autores do livro. Em 272 páginas, o livro "Benzema", escrito pelos jornalistas Luca Caioli e Cyril Collot e publicado pela editora Marabout, consagra o talento do maior artilheiro francês da história.   “Nós contamos a história de um jogador extraordinário com uma carreira ‘montanha russa’, porque sem dúvida ele é um dos maiores talentos do futebol mundial, mas que agitou a crônica esportiva com casos fora de campo”, diz Cyril Collot. “Infelizmente, se falava mais de Karim Benzema por suas frases fora do esporte do que por seu desempenho no campo e é isso que queremos destacar”, completa. “É um livro que não oculta o lado obscuro do jogador, mas que exalta o seu formidável percurso, de altos e baixos, e que hoje se tornou um modelo para muitos jogadores franceses e internacionais”. El Gato, como o centroavante é conhecido pela imprensa espanhola, também superou nomes como os franceses Jean-Pierre Papin, com 372 gols e Michel Platini, que marcou 358. De Lyon para o Real Madrid Benzema estreou como profissional em 2005 no Olympique de Lyon, sua cidade natal, onde permaneceu até 2013. Desde o início, teve boas performances na Liga dos Campeões da Europa, na primeira divisão do futebol francês e na Copa da França. Logo tornou-se artilheiro e passou a ter um dos maiores salários entre os jogadores de futebol do país. Em 2009, foi transferido para o Real Madrid, numa negociação de € 35 milhões. Mas à sombra de nomes como Cristiano Ronaldo e Kaká. “Ele soube crescer e hoje, desses três jogadores que foram recrutados, é o único que ficou no clube e se tornou um líder no estádio Santiago Bernabéu”, destaca Collot.   Comportamento polêmico Mas nem só de glórias é feita a carreira do astro, evolvido em diversos escândalos fora de campo. Em 2013, Benzema foi flagrado na Espanha dirigindo a mais de 200 km/h, o dobro da velocidade máxima permitida. Dois anos depois, o jogador foi acusado pela Justiça francesa de formação de quadrilha e participação em um esquema de extorsão, por cobrar valores em dinheiro para não divulgar um vídeo de conteúdo erótico de seu companheiro de seleção Mathieu Valbuena. Em novembro de 2021, Benzema foi condenado no que ficou conhecido como o caso da "Sextape” a um ano de prisão, mas com direito a sursis (suspensão da execução da pena de prisão). Durante o julgamento, os representantes do Ministério Público afirmaram que o astro da seleção francesa tinha o dever de "dar o exemplo de valores morais" e recomendou uma multa de € 75 mil (cerca de R$ 418 mil). O comportamento errático fora dos gramados acabou custando caro, já que ele foi afastado da seleção francesa por vários anos. Descendente de argelinos, o centroavante se envolveu em outra polêmica, em junho de 2016, ao justificar sua ausência na Eurocopa por "pressões" que o técnico Didier Deschamps teria recebido "de uma parte racista da França".O comentário pegou mal. “A gente fala de toda a sua história, dos bons momentos e de outros mais complicados, o seu desamor pela seleção francesa e esses anos em que ele ficou de fora”, comenta Cyril Callot. “Para ele foi terrível, porque não participou da Copa do Mundo na Rússia, em que a França foi campeã, mas sem dúvida isso lhe deu mais força para ser o jogador que é hoje”, completa. De volta aos Bleus   Didier Deschamps, o treinador dos Bleus ('Azuis'), como é conhecida a seleção francesa de futebol, voltou a convocar o craque para o Campeonato Europeu de Futebol de 2020. “Ele voltou à seleção da França na última EuroCopa, que não foi muito boa para a equipe da França, que foi rapidamente eliminada pela Suíça. Mas desde o seu retorno ao time e a sua associação a Antoine Griezmann e Kylian Mbappé, um trio fenomenal, a França tem a chance de ter este ataque. Vamos ver se vai brilhar na Copa do Mundo do Catar, que será o grande desafio de Karim Benzema. Aos quase 35 anos, essa será provavelmente a sua última chance de ganhar um título mundial”, analisa. “Ele é o jogador francês que tem mais gols e como ele nem sempre foi muito popular, só hoje estamos compreendendo tudo o que ele faz há anos no futebol francês, desde o começo em Lyon e depois com a camisa do Real Madrid”, observa Collot. Comparação com Neymar Por fim, o escritor compara o caso de Benzema com o do brasileiro Neymar, também presente com frequência nas manchetes e nas redes sociais. “A diferença entre Karim Benzema e Neymar é que Benzema nunca quis demonstrar a sua vida privada, da qual não sabemos quase nada, além do fato de que ele teve dois filhos, com mulheres diferentes, e que hoje é casado, pois ele dá mais publicidade nas redes sociais à sua vida esportiva”, diz. “Ao contrário de Neymar, que abre mais a suas redes aos torcedores, seus amigos e sua família. Benzema é um pouco mais discreto. Mas é verdade que os dois têm essa mistura de talento esportivo e estilos que marcam suas carreiras”, conclui.   
14 March 2022

Guerra na Ucrânia: jogadores de futsal brasileiros deixam Kiev para começar nova vida

RFI Brasil
Assim como muitos ucranianos, os jogadores de futsal brasileiros Moreno Santiago, 30 anos, e Matheus Ramires, de 26, que moravam e trabalhavam na capital da Ucrânia, Kiev, tiveram que deixar o país após o início da guerra, em 24 de fevereiro. Após três tentativas, eles conseguiram escapar em um comboio de carros organizado pela Embaixada do Brasil que os levou à Polônia. De Varsóvia, cada um seguiu o seu caminho.  Por Paloma Varón Matheus Ramires havia trocado o ASEC de Caruaru pelo Skyup de Kiev, onde começou a jogar no dia 1º de fevereiro. Ele nunca poderia imaginar que sua jornada na Ucrânia duraria apenas um mês, parte dela tentando escapar do país. O jogador do time ucraniano Skyup, que chegou a ficar horas escondido em um bunker de Kiev antes de deixar a capital, conseguiu cruzar a fronteira polonesa no dia 4 de março com um grupo de brasileiros, entre eles o amigo Moreno Santiago. Eles chegaram à capital polonesa, Varsóvia, onde se separaram. Ramires voltou para o Brasil no voo da FAB que deixou Varsóvia em 9 de março e, após três escalas, chegou a Brasília no dia 10. O voo de repatriação tinha 70 pessoas. "Tentamos sair de Kiev três vezes de trem e não conseguimos. Em alguns momentos eu achei que seria muito difícil deixar a cidade, quase que impossível, mas apareceu ima ligação do embaixador e fomos num comboio de três carros para Lviv, uma viagem bem cansativa, mas que deu tudo certo. Ficamos dois dias em Lviv e entramos na Polônia escoltados pela Policia ucraniana. A fronteira estava lotada e sem isso seria muito difícil", conta Ramires.  "A chegada na Polônia foi em um comboio de carros, graças à Embaixada. Na fronteira, tivemos um auxilio muito bom dos voluntários que estão fazendo um trabalho incrível, nos deram sopa, chá, foi bem legal ver o que eles estão fazendo pelos refugiados, que estão passando a fronteira a pé", completa Santiago, sobre a jornada para deixar Kiev.  Ao chegarem à capital polaca, Varsóvia, o destino dos brasileiros se bifurcou. Ramires decidiu voltar e Santiago, ficar.  "Na Polônia, a embaixada nos colocou num hotel até a saída do voo da FAB. Eu decidi ficar por aqui porque já tenho bastante tempo na Europa e para mim é mais fácil arranjar um clube por aqui", relata Moreno.  Moreno Santiago, que no Brasil jogou em dois times, em Jaraguá do Sul e no Corínthians, já está fora do Brasil há 11 anos. Ele também já jogou no Dínamo, de Moscou, e no Uktha, na cidade russa de mesmo nome. “Eu já morava há nove anos aqui no Leste Europeu, estou triste de ver dois povos irmãos lutando um contra o outro”, diz o jogador, que, quando foi para Kiev, deixou uma filha de 5 anos e uma ex-mulher em Moscou. Amizade recente que se fortaleceu com a guerra Os dois atletas brasileiros se conheceram faz pouco tempo, mas esta amizade recente se fortaleceu com os dias que passaram juntos, escapando da guerra.  "Eu conheci o Ramires através de um empresário que o indicou para jogar na minha equipe. Ele veio e ficou só um mês no meu time, e voltou, mas a gente criou uma amizade que vai ficar para a vida inteira", diz Santiago.  "Vê-lo voltando para o Brasil foi, por um lado, satisfatório, porque ele está com saúde e foi se encontrar com a família, e por outro foi triste de ficar longe de um amigo, porque criamos um laço muito forte com o que passamos nesta guerra", acrescenta.  Para Ramires, também foi duro deixar o clube: "O Moreno é uma pessoa que me acolheu muito bem, uma amizade que se fortaleceu num momento muito difícil, é um contato que quero manter pela vida inteira. Ele é um ser humano do bem e essas pessoas assim a gente gosta de ter por perto". Destinos diferentes A partir daí, os brasileiros se separaram. Ramires voltou para o Brasil e Santiago está assinando contrato com outro time do leste europeu, mas ele ainda não pode revelar.  "Meus planos a partir de agora ainda estão indefinidos. Estou acertando com uma equipe, ainda não posso dizer qual, mas não é na Polônia, vou para outro país, próximo da Polônia. Quando eu assinar o contrato posso contar mais detalhes", diz Santiago.  Para Ramires, "a vida continua". "É um recomeço, porque muitas coisas ficaram para trás. Vou ter que trocar de clube, mas continuo trabalhando, faço isso desde os 16 anos. O futsal é o que me sustenta. Vou descansar uns dias e já voltar aos treinos até acertar numa nova equipe", conta o atleta, que está em Rio Grande (RS), com sua família. Voltar para a Ucrânia é opção? Sobre os planos de voltar a jogar na Ucrânia quando a guerra acabar, os amigos também têm visões diferentes. Matheus Ramires não pensa em voltar para a Ucrânia quando a guerra acabar. “Eu já informei ao clube da minha saída, já agradeci, são pessoas maravilhosas, mas agora não voltaria, quem sabe daqui a uns anos?". "Eu torço muito que isso acabe, a guerra é ruim para todo mundo, muitas famílias estão se perdendo, muita gente sofrendo...", continua o atleta gaúcho. Já Moreno Santiago, que também não vê a hora que a guerra acabe, diz que voltaria sem pestanejar: "Com certeza eu pretendo voltar a jogar na Ucrânia. Eu amo a Ucrânia, amo a Rússia e para mim é muito triste ver eles guerreando entre si, porque eles são povos irmãos. Se esta guerra acabar, eu volto", afirma Santiago 
06 March 2022

Jogadores brasileiros que passaram por clubes da Ucrânia lamentam guerra: “muita tristeza”

RFI Brasil
País conhecido por acolher e ser porta de entrada para jogadores brasileiros que buscam experiência no futebol europeu, a Ucrânia hoje desperta sentimento de muita tristeza e preocupação. Ex-atletas que vestiram a camisa de diferentes clubes ucranianos defendem sanções contra a Rússia como meio de pressão para pôr fim ao conflito. “A situação era tranquila na cidade de Dnipro e nas cidades onde eu  jogava ou visitava a passeio com minha família. Não imaginávamos que íamos chegar a esse ponto”, diz Douglas. O zagueiro tem duas passagens pelo time de Dnipro. Na primeira delas, entre 2012 e 2015, acompanhou a anexação da península da Crimeia pela Rússia, em meio à tensão e o conflito que atingia a região de Donbass, distante 350 km da cidade de Dnipro, onde morava. “Claro que ficamos apreensivo, com medo de que chegasse também na nossa cidade”, lembra. “Sempre foi uma tensão muito grande, mas só naquela região. Não acreditava que poderia tomar uma proporção tão grande e ser generalizada por todo o país”, acrescenta. Douglas, que passou uma segunda temporada no país, entre 2020/2021, antes de se transferir para o futebol turco, diz que guarda boas recordações da Ucrânia e de seu povo, particularmente quando o Dnipro chegou à final em 2015 da Liga Europa. Apesar da derrota para o Sevilla, o feito marcou o jogador e os torcedores. “Através do futebol, a gente conseguiu trazer um pouco de alegria para o povo ucraniano. Foi uma experiência incrível e única para nós”, lembra. Ele diz ainda que se sentia muito bem acolhido no país. “Era como se fosse a minha segunda casa, pelo respeito não apenas profissional, mas também fora de campo. Eu amava a cidade. Só sofria mesmo com o clima: o inverno ucraniano era bem rigoroso.” A favor de sanções O meio campista Silas, que defendeu o clube Zorya por duas temporadas, entre 2017 e 2019, também guarda boas recordações de sua passagem pelo país, onde teve a oportunidade de jogar contra grandes clubes de futebol do continente. “Foi uma experiência incrível, que levo com muito carinho.” No entanto, ao acompanhar de longe a situação dos ucranianos, o coração fica apertado: “Ver uma situação de guerra, como já aconteceu no passado, é um sentimento de muita tristeza”, afirma. Silas relata que, no período em que jogou no país, viu muitas marcas de antigos conflitos, como prédios destruídos. "A gente via que era um país que tinha sofrido com guerra e até então nem tinha se recuperado totalmente de outras guerras. Até por ter muitas amizades lá, o sentimento é de muita tristeza”, reitera. Se não fosse a guerra, o meio campista não hesitaria em regressar ao país, por isso diz concordar com a decisão de autoridades esportivas de banir a Rússia de competições esportivas, como a FIFA, que vetou a participação da seleção russa na próxima Copa do Mundo, a ser disputada no Catar. “Pouca gente está concordando com essa guerra. Creio que seja uma decisão correta de fazer isso [cancelar a participação dos russos], até com o objetivo de cessar [a guerra] o mais rápido possível, e que a Ucrânia não sofra mais com os ataques, com a destruição de ataques e de famílias”, completa. O ex-lateral esquerdo Leo Veloso viveu em Odessa, cidade próxima do Mar Negro e que se tornou um dos alvos da invasão russa.  Ele atuou entre 2011 e 2013 pelo clube Chonomorets, que segundo ele, buscava ascensão no futebol local e europeu quando foi duramente impactado pelos anos de conflito. “Em 2014, veio a primeira parte dessa guerra e isso acabou por impactar diretamente não só o Chonomorets, mas também os outros clubes. Mais recentemente, o clube estava passando por um processo de reestruturação para alcançar um novo status que buscava dentro e fora da Ucrânia. Infelizmente, veio essa guerra para botar tudo por água abaixo”, lamenta. Aposentado dos campos de futebol desde 2017, Leo Veloso também apoia a decisão de muitas federações esportivas de banir a Rússia de várias competições. “Neste momento, qualquer medida que possa seja tomada para que da guerra pare é válida e necessária. Se as armas que possam ser utilizadas são as armas de sanções, sejam elas econômicas ou esportivas, devem ser utilizadas com toda força", defende. Ele acrdita ainda que o impacto na sociedade russa pode atingir os governantes do país. "À medida em que o povo russo sentir as sanções, eles vão pressionar para que o governo pare com essa agressão. Isso é o que esperamos que aconteça o quanto antes", afirma. Ex-jogador do Atlético Mineiro, Leo Veloso diz ter estabelecido contato regular com amigos que deixou na Ucrânia e revelou que muitos deles já conseguiram fugir para países vizinhos, como Polônia e Moldávia.    “O que está acontecendo é um absurdo. A Ucrânia é um país que deve ter sua soberania respeitada. Para mim em hipótese alguma se justifica ou se qualifica o que está acontecendo, por parte do Putin ou de quem quer que seja. É um completo absurdo o que o povo ucraniano está vivendo”, desabafa.