Roland-Garros 2026 marca melhor campanha do Brasil em Grand Slams
07 June 2026

Roland-Garros 2026 marca melhor campanha do Brasil em Grand Slams

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Depois de duas semanas de jogos, o torneio de Roland-Garros chega ao fim neste domingo (7) com uma edição que já entra para a história do tênis brasileiro. Em 2026, o país alcançou seu maior número de vitórias em um único Grand Slam: 37 triunfos, superando as 26 conquistas do US Open de 2014. O desempenho se distribuiu entre simples, duplas, juvenil e cadeirantes e reflete um momento de renovação e consistência, coroado com o título de Luis Guto Miguel no torneio juvenil.

Maria Paula Carvalho, de Roland-Garros

O grande destaque foi o jovem João Fonseca. Aos 19 anos, o carioca chegou às quartas de final e alcançou o melhor resultado recente de um brasileiro no torneio, algo que não acontecia nas fases mais altas da competição desde a era de Gustavo Kuerten. O tricampeão de Roland-Garros, inclusive, esteve presente em Paris para acompanhar e apoiar a nova promessa.

Fonseca também protagonizou uma das maiores surpresas da edição ao eliminar, de virada, o sérvio Novak Djokovic, maior campeão de Grand Slams da história. Na sequência, superou o norueguês Casper Ruud, duas vezes finalista em Paris.

Após a eliminação para o tcheco Jakub Mensik, o brasileiro avaliou de forma positiva a campanha e destacou o aprendizado ao longo do torneio.

“Eu me sinto bem. Foi um caminho muito bom. Duas semanas muito positivas, de muito trabalho duro e aprendizado. Eu não tinha expectativa e consegui um ótimo resultado. Consegui virar um jogo que estava quase perdido, totalmente dominado na segunda rodada… então fico feliz com a semana.”

A campanha projeta João Fonseca no cenário internacional e recoloca o Brasil em evidência no tênis masculino.

No simples feminino, no entanto, o resultado ficou abaixo do esperado. Principal nome do país, Beatriz Haddad Maia foi eliminada ainda na primeira rodada, após derrota de virada para a britânica Francesca Jones.

Stefani perde na semifinal

Nas duplas, o desempenho brasileiro foi mais consistente. A paulista Luisa Stefani chegou às semifinais ao lado da canadense Gabriela Dabrowski, confirmando sua regularidade entre as principais especialistas do circuito. 

Na sexta-feira (5) elas foram derrotadas pela dupla formada pela tcheca Katerina Siniakova e a americana Taylor Townsend.

Em entrevista à RFI após o jogo, Stefani analisou a derrota.

“Ontem à noite, eu tive dor de garganta, dor de cabeça. A energia talvez não seja a mesma, mas isso não justifica. O que mais me chateia é que eu queria ter tido mais disposição, uma execução melhor e ter enfrentado melhor essa dificuldade”, disse.

“É uma pena. Parece uma oportunidade desperdiçada", continuou. "Uma semifinal é sempre uma boa campanha, mas, conforme o torneio vai afunilando, o desafio fica cada vez maior. Então, é preciso manter o foco no que a gente vem fazendo bem, executar, e isso faltou hoje”, concluiu. 

 

Entre os homens, o gaúcho Marcelo Demoliner avançou até as quartas de final nas duplas, ao lado do indiano N. Sriram Balaji, reforçando a presença brasileira nas fases decisivas. Ao fim da campanha, ele destacou a confiança adquirida.

“Feliz com a participação nas quartas de final inédita, que vai dar uma confiança boa para o decorrer da temporada. Agora é aproveitar essa confiança e ir para a grama, na próxima semana, que é o meu habitat natural, onde eu mais gosto de jogar.”

Torcedores marcaram presença

Fora das quadras, a presença brasileira também chamou atenção. Durante as duas semanas de competição, torcedores com as cores verde e amarelo ocuparam o complexo esportivo na zona oeste de Paris.

O engenheiro civil Carlos Frazão se mostrou impressionado com a nova geração de atletas. “Pois é, muita gente boa nova surgindo no tênis. Acho que o João Fonseca ajudou muito essa nova geração a aparecer. A gente está torcendo para surgirem muitos novos ‘Joões Fonsecas’.”

A avaliação se repete entre outros torcedores. Para o administrador Cristiano França, nunca houve uma presença tão expressiva de brasileiros no torneio. “A nova geração… nunca vi tanto brasileiro em Roland-Garros. Depois do Gustavo Kuerten, agora estamos vendo muito mais brasileiros e espero que continue assim”, disse à RFI.

Nova geração: Luis Guto é campeão

Essa presença se reflete também entre os mais jovens. Naná, Victoria e Pedro estão entre alguns dos jovens nomes que se destacaram.

Mas a grande estrela foi o goiano Luis Guto Miguel, que aos 17 anos, venceu a sua primeira final de Grand Slam. ele derrotou o americano Michael Antonius, de 16 anos, por dois a zero, com parciais de 6/3 e 6/4.

“Estou muito feliz, aproveitando o momento, mas mantendo a humildade, porque temos muito a fazer”, afirmou na entrevista coletiva após o título inédito. De Paris, Luís volta ao Brasil, onde deve continuar a celebrar sua conquista, mas já com o foco voltado para os próximos passos de sua promissora carreira.

“Seria um sonho voltar aqui no ano que vem jogando como profissional, mas, como eu falei, é preciso colocar muito trabalho duro, manter os pés no chão, aproveitar o momento agora, mas viver tudo passo a passo dessa trajetória, porque essa transição não é fácil. Trabalho duro é a chave do processo”, insiste.

Ele tem consciência de que sua conquista deve inspirar outros jovens tenistas, mas seu recado é firme e direto: “Eu acho que estou mostrando para a galera mais jovem brasileira que é possível trabalhar duro, acreditar no processo e nos treinadores”, afirma. Em entrevista à RFI, no sábado, declarou: "É um sonho, porque desde pequeno eu sonhava em estar jogando nestas quadras. Agora já sou número 1 do ranking mundial, então é muita coisa acontecendo". 

Na semifinal, Luis Guto derrotou o conterrâneo e amigo, Leonardo França, outra bela supresa do torneio júnior. “Saio de cabeça erguida, em todos os jogos entreguei o meu melhor”, avaliou o tenista. 

A gaúcha Pietra Rivoli, de 18 anos, é outro exemplo dessa nova leva.

Ela destacou o impacto de conviver de perto com grandes nomes do circuito. “Estar perto da Sabalenka, da Osaka, do João… ver o que eles fazem dentro e fora da quadra é muito inspirador. Jogar em uma Phelippe-Chatrier lotada faz a gente querer trabalhar ainda mais para chegar lá um dia”, disse em entrevista à RFI.

No balanço geral, Roland-Garros 2026 consolida uma participação positiva do Brasil, combinando resultados expressivos, presença em diversas categorias e o surgimento de um novo protagonista no cenário internacional.