26 October 2026
Curioso por Ciência #128: Síndrome das pernas inquietas pode passar despercebida em pessoas idosas com demência
Curioso por Ciência - USP
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Um incômodo nas pernas que aparece durante o repouso, provoca uma necessidade de movimentá-las e melhora ao caminhar pode prejudicar o descanso. Conhecido como síndrome das pernas inquietas, o problema também afeta pessoas idosas com demência, mas as dificuldades para comunicar o que sentem podem atrapalhar sua identificação.
Neste episódio do Curioso por Ciência, Isabelle Rodrigues apresenta uma pesquisa da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP que investigou a frequência dessa síndrome em pessoas idosas com demência e sua relação com indicadores de ferro no organismo.
O diagnóstico da síndrome depende, principalmente, da descrição dos sintomas pelo paciente. É preciso identificar quando o desconforto aparece, como ele se manifesta e se o movimento proporciona alívio. Em pessoas com demência, alterações de memória e dificuldades de comunicação podem limitar esse relato e fazer com que o problema passe despercebido.
A pesquisa foi dividida em duas etapas. Na primeira, uma revisão sistemática reuniu 13 trabalhos sobre o tema. Na segunda, foram avaliadas 70 pessoas idosas com demência, considerando aspectos como cognição, comportamento, qualidade do sono e presença da síndrome das pernas inquietas. A pesquisadora também consultou resultados de exames laboratoriais nos prontuários.
A síndrome foi identificada em 15,7% dos participantes. As pessoas com o problema apresentaram níveis mais baixos de ferritina, uma proteína que ajuda a avaliar as reservas de ferro do organismo. Também foram observadas pior qualidade do sono e maior frequência de sintomas neuropsiquiátricos, que envolvem alterações de comportamento e do estado emocional.
Os resultados chamam a atenção para a necessidade de investigar outras possíveis causas de desconforto e agitação noturna em pessoas com demência. A síndrome das pernas inquietas é uma dessas possibilidades, e reconhecer seus sinais pode contribuir para uma avaliação mais completa das dificuldades de sono desses pacientes.
O estudo é parte do mestrado Prevalência de síndrome das pernas inquietas e relação com anemia ferropriva em pessoas idosas com demência, de Érica Dayanne Meireles Leite, orientada pelo professor Marcos Hortes Nisihara Chagas. O trabalho foi desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em Saúde Mental e defendido em 2024.