Curioso por Ciência #120: Organização integrada pode reduzir custos no atendimento de pessoas com autismo
Curioso por Ciência - USP
Pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) frequentemente necessitam do acompanhamento de diferentes profissionais, como psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e fisioterapeutas. Organizar esses atendimentos de maneira integrada é um dos desafios enfrentados pelos serviços de saúde, especialmente diante da necessidade de garantir continuidade do cuidado e, ao mesmo tempo, administrar os custos envolvidos.
Neste episódio do Curioso por Ciência, Isabelle Rodrigues apresenta os resultados de uma pesquisa da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP que analisou como uma cooperativa médica do interior de São Paulo reorganizou o atendimento terapêutico oferecido a beneficiários com TEA. Em vez de encaminhar os pacientes para diferentes clínicas, a cooperativa passou a concentrar os serviços em um centro próprio, reunindo profissionais de diferentes áreas.
O estudo mostrou que a mudança esteve associada à redução dos custos com os atendimentos e das ações judiciais relacionadas aos tratamentos, além de favorecer maior integração entre os profissionais. Segundo os gestores ouvidos na pesquisa, o modelo também permitiu organizar melhor os serviços e ampliar o controle sobre a qualidade do atendimento.
Embora os resultados sejam referentes ao estudo de caso de uma única cooperativa médica, a pesquisa indica que a integração dos serviços pode contribuir para tornar o atendimento às pessoas com autismo mais eficiente. Ao reunir diferentes profissionais e facilitar o compartilhamento de informações sobre os pacientes, o modelo favorece o acompanhamento das necessidades individuais e o planejamento dos tratamentos.
O episódio apresenta a dissertação de mestrado Análise da estrutura vertical no atendimento terapêutico de beneficiários portadores de TEA à luz da teoria dos custos de transação – estudo de caso de uma cooperativa médica, de Helena Villela Rosa, orientada pelo professor Carlos Alberto Gabrielli Barreto Campello, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Gestão de Organizações de Saúde da FMRP e defendida em 2025.