Curioso por Ciência #114: Estudo mostra proteção preservada contra febre amarela após retirada do timo em crianças
15 June 2026

Curioso por Ciência #114: Estudo mostra proteção preservada contra febre amarela após retirada do timo em crianças

Curioso por Ciência - USP

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retirada do timo durante cirurgias cardíacas realizadas nos primeiros anos de vida pode provocar alterações no sistema imunológico. Mas será que isso compromete a proteção oferecida pelas vacinas? Essa foi a pergunta investigada em trabalho de pesquisa da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, apresentado no episódio desta semana no podcast Curioso por Ciência.


O timo é um órgão fundamental para o desenvolvimento do sistema imunológico, especialmente na infância. É nele que amadurecem os linfócitos T, células responsáveis por coordenar a defesa do organismo contra vírus, bactérias e outros agentes infecciosos. Em algumas cirurgias cardíacas realizadas em bebês, entretanto, a retirada total ou parcial do timo é necessária para permitir o acesso ao coração.


A pesquisa avaliou se essa remoção poderia comprometer a resposta à vacina contra a febre amarela, uma das principais ferramentas de prevenção contra a doença. Para isso, os cientistas estudaram pacientes entre 2 e 24 anos com diagnóstico de transposição das grandes artérias, submetidos à cirurgia cardíaca antes dos 2 anos de idade e vacinados contra a febre amarela. Os pesquisadores analisaram diferentes componentes da resposta imunológica, incluindo células de defesa, moléculas envolvidas na regulação do sistema imune e a produção de anticorpos contra o vírus.


Os resultados mostraram que, embora os pacientes timectomizados apresentassem redução em alguns tipos de células imunológicas, a resposta à vacina permaneceu adequada. O organismo continuou produzindo anticorpos capazes de reconhecer e combater o vírus da febre amarela, sem evidências de deficiência imunológica clinicamente relevante.


Segundo os pesquisadores, os achados reforçam a segurança e a eficácia da vacinação contra a febre amarela nesse grupo de pacientes e fornecem informações importantes para médicos e famílias que acompanham crianças submetidas a esse tipo de cirurgia.


O trabalho é parte da tese Avaliação da resposta imune à vacinação contra a febre amarela em pacientes timectomizados após cirurgia cardíaca neonatal, de Milene de Oliveira Reis, orientada pelo professor Paulo Henrique Manso no Programa de Pós-Graduação em Saúde da Criança e do Adolescente da FMRP.