Curioso por Ciência #107: Pesquisa revela impacto da audição na memória
27 April 2026

Curioso por Ciência #107: Pesquisa revela impacto da audição na memória

Curioso por Ciência - USP

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Ouvir bem desde cedo pode ser importante não só para a comunicação, mas também para o funcionamento do cérebro. O episódio desta semana do podcast Curioso por Ciência traz os resultados de pesquisa que investigou o impacto da privação auditiva precoce, ou seja, a falta de audição logo no início da vida. O cérebro se desenvolve com base nos estímulos que recebemos do ambiente, e o som está entre os mais importantes. Desde os primeiros dias de vida, a audição contribui para a organização das informações, o aprendizado e a formação de memórias.


Para entender o que acontece quando esse estímulo não está presente, foi utilizado um modelo em animais, no qual a audição foi bloqueada por um período. Em seguida, os pesquisadores avaliaram como essa privação afetou a memória e o funcionamento do cérebro. Os animais foram submetidos a testes simples de memória, como reconhecer um objeto novo ou identificar mudanças no ambiente. Os resultados mostraram que aqueles que passaram por um período sem audição tiveram mais dificuldade nessas tarefas, indicando prejuízo na memória.


Além disso, foi analisada a plasticidade cerebral, que é a capacidade do cérebro de aprender e se adaptar. Essa função foi avaliada no hipocampo, região essencial para a formação de memórias. Mesmo com o comprometimento da memória, essa capacidade básica de adaptação se manteve semelhante. Os resultados indicam que a privação auditiva precoce pode afetar a memória por mecanismos mais complexos, que vão além da plasticidade básica do cérebro.


O estudo reforça a importância de identificar e tratar problemas auditivos o mais cedo possível, especialmente na infância, período em que o cérebro ainda está em desenvolvimento.


A pesquisa Impacto da privação auditiva precoce na memória e na potenciação a longo prazo do hipocampo é parte do mestrado de Mariane Martins Migliaccio, orientada pelo professor Ricardo Mauricio Xavier Leão, no Programa de Pós-Graduação em Fisiologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, concluída em 2025.