"As mulheres estão na linha da frente da conservação da natureza"
03 March 2026

"As mulheres estão na linha da frente da conservação da natureza"

Ciência

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As mulheres representam actualmente 30% dos profissionais de conservação da natureza, mas a sua acção em defesa do meio ambiente é quotidiana e presente em todas as suas vertentes. Em entrevista à RFI, Erica Tavares, co-Fundadora e coordenadora técnica da associação Eco Angola, fala das dificuldades de se afirmar num meio ainda bastante masculino, mas também que as mulheres têm de criar o seu lugar neste combate por um Mundo melhor.

As mulheres têm um papel essencial na conservação da natureza, como educadoras e chefes da casa, mas também cada vez mais dentro de organizações ambientais, com a WWF a ter estimado em 2020 que 30% das pessoas que trabalham neste sector são mulheres. No entanto, apenas 23% assumem lugares de liderança e só 17% ocupam lugares governamentais ligados ao ambiente, o que mostra as desigualdades ainda existentes.

Erica Tavares, co-Fundadora e coordenadora técnica da associação Eco Angola, considera que as mulheres têm um papel cada vez mais preponderante na conservação ambiental já que sentem também os impactos imediatos das alterações climáticas e da destruição causada pelo homem nos ecossistemas.

"A nível global, há uma tendência, um movimento muito grande das mulheres estarem na linha da frente e por vários motivos. Quando olhamos a nível comunitário, as mulheres são são responsáveis pela água, pela alimentação, pela recolha de madeira para cozinhar, pela energia doméstica E, portanto, são elas que sentem em primeira mão muitos dos impactos das alterações climáticas, os impactos da desflorestação e por isso, têm estado aqui numa luta maior para poderem conservar os recursos naturais. Então eu sinto que cresce o número de mulheres na ciência, no activismo, em gestão ambiental, em trabalho comunitário. Portanto, acho que as mulheres são guardiãs da natureza, do nosso planeta e da vida", explicou Erica Tavares.

A organização nao-governamental Eco Angola desenvolve programas dedicados às mulheres, estando actualmente a levar a cabo um programa de incentivo ao empreendedorismo sustentável em que as mulheres estão também a tomar a dianteira financeiramente.

"Temos o sector, por exemplo, agrícola com a criação de melhores práticas na agricultura. Também há aqui muita agricultura familiar, também liderado pelas mulheres em Angola. Até no setor de reflorestação estamos a tentar apoiar negócios de promoção, por exemplo, de viveiros de espécies nativas. Depois, há muitos outros pequenos negócios que podem vir dos subprodutos da transformação dos alimentos em compotas, coisas que muitas vezes são as mulheres que fazem em casa. A ideia é transformar isto num negócio e num negócio rentável", detalhou.

Para Erica Tavares, as mulheres em geral não devem ficar à espera de que lhes sejam atribuídas responsabilidades em qualquer sector, incluindo na protecção ambiental, mas sim tomar a iniciativa.

"O conselho principal é apoiarmo-nos, apoiarmos as mulheres, darmos espaço. Isto é, de forma geral, um género de conselho institucional. Mas o conselho para as mulheres é não esperar que nos dêem um espaço. Se não há espaço, temos que criar. Então eu acho que os dois complementam-se um ao outro. Quando há espaço, ocuparmos estes lugares, não termos medo, termos coragem. Há muita coisa que é nova. As pessoas olham para nós com mais e mais expectativas e sentimos que temos sempre de corresponder. Mas não, não temos de ter medo disso. Acho que nós temos capacidade para liderar, para sermos mães e conseguirmos ter vidas completas. E certamente podermos trazer o nosso melhor ao mundo", concluiu a activista.