Cidade em Movimento #21: Preservação arquitetônica
05 March 2026

Cidade em Movimento #21: Preservação arquitetônica

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O trabalho dos órgãos de preservação patrimonial vai muito além de igrejas, casas coloniais, monumentos e grandes construções— como a estação da Luz, a Biblioteca Mário de Andrade e o Copan. Órgãos como o Iphan, Condephaat e o Conpresp também atuam no tombamento e preservação de prédios comerciais, casas, vilas, fábricas, obras de arte e até espaços naturais.
Entre os mais de 4.000 bens tombados na capital paulista, alguns dos mais inusitados, são um posto de gasolina na Aclimação, uma cratera em Parelheiros, uma árvore no Sacomã, um túmulo dentro da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, o muro do cemitério do Araçá, o alambrado do estádio do Juventus, entre outros.
Todavia, na cidade marcada pela “Força da grana que ergue e destrói coisas belas”, a preservação daquilo que já está construído é um dos muitos desafios enfrentados. Para além da dificuldade associada às reformas, preservação e uso de edificações já tombadas, existe também a dificuldade em preservar características urbanas e naturais de bairros e realizar o tombamento de novos imóveis. 
Segundo Simone Scifoni, professora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, especializada em Geografia Urbana, as instituições responsáveis pela preservação arquitetônica “trabalham majoritariamente com um olhar muito elitista, baseado em aspectos como monumentalidade, excepcionalidade, valores formais ligados à arquitetura técnica e estética. Em consequência disso, uma série de bens culturais ligados ao cotidiano das cidades, às formas de morar, de trabalho e de lazer não se enquadram nessa visão elitista, elas ficam de fora”. O resultado disso, segundo a professora, é que a cidade de São Paulo vem perdendo parte significativa dos bens culturais ligados à década de 30, 40, 50, 60. “São bens que testemunham a história cotidiana da cidade, dos usos cotidianos. O conjunto de casinhas, os sobradinhos que testemunham as formas de morar, pequenos comércios, cinemas de rua, campos de futebol de várzea, fábricas, clubes”, completa.
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