
#410 Grandes músicas: Tarkus (Emerson, Lake and Palmer) 1971
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Tarkus, do Emerson, Lake & Palmer: a suíte progressiva que transformou rock em ficção científica sonora
Poucas músicas na história do rock conseguem ir além do som e se tornar uma narrativa completa, quase um filme imaginário contado por instrumentos. Tarkus é exatamente isso. Lançada em 1971 pela banda Emerson, Lake & Palmer, a suíte que abre o álbum Tarkus é um dos manifestos definitivos do rock progressivo.
Com mais de 20 minutos de duração, Tarkus não é apenas uma música longa: é uma obra conceitual dividida em sete movimentos, cada um representando uma etapa de uma história simbólica sobre criação, poder, guerra, queda e renascimento. No centro dessa narrativa está Tarkus, uma criatura híbrida — meio tatu, meio tanque de guerra — que surge das entranhas da Terra como metáfora do avanço tecnológico sem consciência.
A suíte começa com “Eruption”, um nascimento violento, marcado por órgão Hammond agressivo e mudanças rítmicas abruptas. É o mundo sendo criado à força. Em “Stones of Years”, entram os vocais de Greg Lake, trazendo questionamentos existenciais sobre tempo, sabedoria e cegueira histórica. Aqui, Tarkus começa a pensar — e pensar dói.
“Iconoclast” e “Mass” representam o auge do conflito. Tarkus destrói antigas crenças, mas acaba se tornando aquilo que combatia. A crítica social aparece clara: revoluções que viram sistemas, fé que vira controle, poder que se corrompe. Musicalmente, o trio mostra domínio absoluto de dinâmica, alternando caos e groove com precisão cirúrgica.
O ponto de virada acontece em “Manticore”, quando Tarkus enfrenta uma criatura mitológica que simboliza o caos primordial. A batalha é instrumental, dissonante e curta — e Tarkus é derrotado. O resultado vem em “Battlefield”, um lamento sobre os escombros da guerra, onde não existem vencedores, apenas silêncio e confusão.
Por fim, “Aquatarkus” fecha o ciclo com o renascimento. A criatura retorna transformada, agora ligada à água, símbolo de renovação e consciência. O tema musical inicial reaparece, mas evoluído — como se a própria música tivesse aprendido com seus erros.
Tarkus permanece atual porque fala de um dilema eterno: a humanidade cria ferramentas, ideologias e máquinas para avançar, mas frequentemente perde o controle sobre elas. Emerson, Lake & Palmer não entregam respostas fáceis. Eles oferecem uma experiência — intensa, desconfortável e grandiosa.
Mais de cinquenta anos depois, Tarkus continua sendo uma aula de ambição artística, provando que o rock pode ser tão narrativo quanto a literatura e tão épico quanto o cinema. Uma música que não se escuta apenas: se atravessa.
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