
Tony Neves, no norte de PortugalEstou, com muita alegria, a visitar o Portugal Espiritano. Em tempos de ecologia integral, os Espiritanos pediram emprestados à natureza dois símbolos para marcar datas significativas. São imagens de marca de uma Espiritualidade que, em Portugal, tem já mais de 150 anos de vivência, aprofundamento e partilha. Os Missionários do Espírito Santo celebraram, em 2017, o Jubileu dos 150 anos da chegada dos primeiros missionários a Portugal. O símbolo escolhido foi a Ginkgo Biloba, mais conhecida por nogueira do Japão. É uma árvore que já resistiu milhões de anos, sendo por isso símbolo da longevidade, que marca a vida e a missão espiritanas. É também o ícone botânico da paz por ter sobrevivido às explosões atómicas no Japão. Em 2021, os Espiritanos viveram intensamente uma outra importante celebração: os 100 anos da Restauração da Província Portuguesa (1921). Escolheram um novo símbolo: a Flor da Amendoeira leva-nos muito longe na história da Bíblia. D. António Couto, missionário, biblista e bispo, chamou a atenção para a importância deste texto ao escolhê-lo para seu lema episcopal. O profeta Jeremias, vivendo num contexto muito difícil, é testado por Deus sobre a sua capacidade de enfrentar dificuldades e olhar com esperança para um futuro risonho. Quando Deus lhe pede para descrever o que vê à sua volta ele, na invernia de Israel, consegue vislumbrar o único sinal de alegria e de futuro: o ramo florido da amendoeira, única árvore que ali dá flores no inverno. Deus diz-lhe que ele «viu bem» (Jer 1,12). Este olhar de esperança e de futuro, apesar de todas as dificuldades, marcou este jubileu.