Tony Neves, em RomaO papel que a Inteligência Artificial desempenha na guerra traz enormes riscos: ‘torna mais rápida e impessoal a decisão sobre a vida e a morte e apresenta o recurso à força como uma opção imediata e exequível’ (nº182). Há dados evidentes: ‘a revolução digital está a modificar a gramática dos conflitos (…). A fronteira entre a proteção e a agressão está a dissipar-se’ (nº183).Paulo VI introduziu a expressão ‘civilização do amor’ durante a Guerra fria, num tempo de corrida ao armamento e fortes desequilíbrios económicos. Trata-se de um ‘projeto exigente’ que o Papa Francisco explicou melhor na Fratelli Tutti: ’só este amor social, capaz de se tornar cultura e norma, pode gerar uma ordem internacional estável, transformando a convivência de simples coexistência armada numa comunidade de destino’ (nº186).A guerra está a normalizar-se, apesar do grito de Paulo VI na ONU em 1965: ‘Nunca mais a guerra, nunca mais a guerra!’. Hoje, ‘a guerra é um instrumento de política internacional, enquanto precisamente se degradam aqueles critérios éticos que tinham limitado o seu uso’ (nº190). A guerra é hoje ‘preparada através de narrativas simplistas, lógicas de amigo-inimigo, desinformação e medo’ (nº192).
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