Questão das energias renováveis será desafio para presidência francesa da UE, diz especialista da UNB
04 January 2022

Questão das energias renováveis será desafio para presidência francesa da UE, diz especialista da UNB

RFI Brasil

Desde 1° de janeiro a França assumiu a presidência rotativa da União Europeia (UE), uma função que durante os próximos seis meses permite ao país liderar as discussões e a comandar a agenda do bloco formado por 27 países. Para analisar os desafios franceses neste período, o RFI Convida conversou com Angélica Saraiva Szucko do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília.  A França preside o bloco num período de eleições no país, com a escolha do presidente em abril e as legislativas em junho. Macron ainda não é oficialmente candidato, mas não há muitas dúvidas de que tentará a reeleição. Esse calendário político vai interferir na presidência francesa da União Europeia e na condução dos assuntos do bloco, de acordo com Angélica Szucko. “A presidência francesa será marcada por essas eleições nacionais, tanto no período de campanha, que tem início em março, quanto a própria eleição presidencial. Há uma grande expectativa na União Europeia que ele seja reeleito para dar continuidade às suas propostas para o bloco europeu e o projeto de integração regional”, afirma a especialista. Segundo ela, os assuntos europeus também vão interferir na campanha presidencial francesa do bloco, na medida em que os candidatos da extrema direita, como Marine Le Pen ( Reunião Nacional) e Éric Zemmour (Reconquista) questionam a presença da França no bloco. No início de dezembro, Macron elencou as prioridades estabelecidas pela França à frente do bloco europeu, focadas em questões relacionadas à soberania, fortalecimento da economia e na transição ecológica, entre outros temas.   Entre as propostas do país está a reforma do espaço Schengen, área de livre circulação de pessoas e mercadorias envolvendo diversos países europeus. A França pretende criar um mecanismo para que os governos enfrentem as crises migratórias, que se tornaram uma preocupação constante nos últimos anos. “Desde 2015, a crise migratória vem afetando a UE e mostrando as fragilidades do bloco em lidar com a situação. Faz-se necessária uma revisão da política migratória europeia. Além da França, outros países estão alinhados com essa proposta, principalmente os que mais sofreram com a chegada dos migrantes”, afirma Angélica. Macron também pretende dar um impulso para a criação de um salário mínimo europeu padrão. Uma proposta que, segundo a pesquisadora da UNB, deve encontrar muitos obstáculos. “É preciso pensar como vai refletir em outros estados membros e se haverá um consenso. Alguns países têm sistemas de proteção social muito mais abrangentes do que outros. Vamos ver se os 27 poderão entrar em consenso para a definição desse salário mínimo”, pondera. Salário mínimo europeu Outro eixo defendido pela presidência francesa do bloco é o estabelecimento de um modelo de produção e sustentabilidade impulsionado pela transição climática. Segundo Angélica Szucko, o tema deve alimentar muitos debates na UE. Ela vê um alinhamento das prioridades da França com a da própria União Europeia, que estabeleceu o objetivo de chegar à neutralidade de carbono até 2050 e para isso, defende a inclusão do nuclear e do gás natural como "energias verdes". “A formação do governo na Alemanha com a participação do partido Verde na coalizão vai reforçar essa demanda”, prevê. Mas o tema deve gerar debates intensos diante da proposta de integrar a energia nuclear e o gás na lista de  energias renováveis e sustentáveis. “A gente tem a pressão da França, por um lado, que utiliza muita energia nuclear, e da Alemanha que é pró-utilização do gás. Mas outros países têm questionado a inclusão desses tipos de energia para o bloco atingir sua meta de se tornar uma economia de carbono neutra até 2050. Certamente vai gerar muito debate durante a presidência francesa”, prevê a pesquisadora do UNB. Para ouvir a íntegra da entrevista, clique no link acima