O que é a humanidade? Se essa resposta tende a ser polêmica para você, a chance de você apoiar Israel ou ter opiniões polêmicas sobre o começo do século XX é bem grande.
Até porque na real é uma pergunta bem simples com uma resposta muito objetiva: todos os seres humanos em sua diversidade histórica, cultural, territorial, fenotípica e genética etc. Resumidamente é a nossa grande comunidade humana, em suas virtudes e contradições.
Mas, como é o caso de toda pergunta que se propõe a ser simples, ela pode ficar bem complicada quando a expandimos para algumas outras questões que podem estar orbitando ela: Quando a humanidade nasce? Quando começamos a pensar, agir e se identificar como humanidade?
Sem dúvida não é no momento em que a nossa espécie humana nasce, ou durante a nossa longa caminhada e ocupação dos mais diversos cantos do planeta Terra. Nem mesmo durante o nascimento das primeiras civilizações e os povos que conhecemos atualmente, não tinha meios materiais de fazer uma comunicação global.
Poderíamos então falar de uma unificação da humanidade com as grandes navegações? Como podemos falar de humanidade se a colonização europeia tinha como princípio que parte da humanidade poderia ser tratada como um objeto, como uma mercadoria e uma ferramenta, sem história e cultura legítima.
Certamente, mesmo durante estes momentos mais violentos, a humanidade enquanto projeto já estava construindo seus pilares, com passos lentos e descompassado, com idas e vindas.
Mas para o que vale no momento em que vivemos é muito mais correto afirmar que humanidade como comunidade global humana é algo muito recente, fruto da globalização que transforma o mundo desde metade do século XX.
A partir do momento em que a comunicação se tornou praticamente instantânea globalmente, através do desenvolvimento das tecnologias da informação, e o mundo se integrando através do capitalismo globalizado passamos a ter o termo humanidade, ainda que cheia de contradições e problemas, como algo cada vez mais comum e importante.
A música é uma parte da cultura que acompanhou esse processo histórico. No passado, antes da possibilidade de gravar áudio, para ouvir uma música de algum lugar era preciso ir até lá, com algumas poucas exceções.
A partir dos fonogramas, dos meios de comunicação como o rádio e até o crescimento do fluxo de pessoas pelo mundo a música também se tornou um fato global. Certamente que não de forma neutra, até porque quem controlava a tecnologia de produção e comunicação também controlava que tipo de música e parte da cultura seria interligada à globalização.
A música chega hoje em dia como algo profundamente interligado à globalização. As novas plataformas de streaming, redes sociais e até os antigos meios de comunicação que se adaptaram à nova era da internet, ativamente buscam divulgar e diversificar suas músicas.
A música é um dos grandes meios para conhecer e estudar culturas de outros países, suas relações e até mesmo observar as novas misturas que fazem a cultura local também se misturar com a cultura global.Mas essa grande novidade que é a humanidade entendida em escala global faz que muitas outras perguntas ainda fiquem em abertos: Como descobrir músicas de novos países? Porque falar sobre músicas de outros países? Faz sentido usar a categoria world music? Vivemos realmente uma humanidade global?
Para responder essa e muitas outras perguntas nós recebemos para este episódio Machi7k
Referências importantes do episódio:
Instagram do Machi
Mix NTS
Entrevista dele com o Habib Funk
Vídeo dele falando sobre Artaud de Pescado Rabioso (Luis Alberto Spinetta) 1973