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Uma vez por semana, os temas que marcam a actualidade científica são aqui descodificados.
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17 May 2022

Liderança científica da Europa na matéria e energia escuras ameaçada pela guerra na Ucrânia

RFI Português
A missão Euclid, que visa mapear o Universo de forma a descobrir as propriedades da matéria e energia escuras, vai ser adiada pelo menos um ano devido à guerra na Rússia, já que apesar de tudo estar pronto para o lançamento deste telescópio de infra-vermelhos, com o fim dos protocolos com Moscovo, não há lançadores disponíveis para levar este dispositivo até ao Espaço, como relatou o investigador António da Silva, em entrevista à RFI. "A missão está praticamente pronta e íamos lançar daqui a um ano. Entretanto o que acontece é que com a guerra da Ucrânia houve a quebra deste protocolo que existia entre a ESA e a Roscosmos, esquivalente russa. Não temos esses lançadores e a Euclid, como é uma missão do programa científico da ESA, na prioridade de lançamento é a primeira missão que não vai ser possível lançar e vai ter imensos atrasos", explicou António da Silva, investigador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço e professor na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Este investigador português é membro da direção do consórcio da missão Euclid, cujo satélite devia ser lançado entre 2022 ou 2023 e agora vê a sua partida para o espaço adiada um ano devido à quabra de procolos entre a União Europeia e a Rússia, após a invasão russa da Ucrânia. Este atraso tem impacto nos mais de 1.500 cientistas que em vários países estão envolvidos nesta missão, que deverá durar cerca de seis anos, mas também para a Europa como líder na exploração da matéria e energia escuras. "A situação é complexa e tem dimensões a nível do consórcio. A missão, estando pronta, não temos possibilidade de a lançar sem grande atrasos, traz problemas anível da motivação dos cientistas, com cerca de 1.5000 cientistas envolvidos e, no fundo trata-se de uma questão de liderança científica nesta área", detalhou. Saber mais sobre a matéria e energia escuras significa compreender melhor a dinâmica do universo. Este é um domínio que resta desconhecido para os cientistas.  "Actualmente, quer a matéria escura, quer a energia escura são duas grandes incógnitas na área da física fundamental, não sabemos a sua origem. A energia escura é aquilo que faz o Universo expandir de forma acelerada", detalhou o investigador. Quanto à matéria escura, é ela que permite a configuração das galáxias. "A matéria escura tem sido uma grande incógnita. A matéria escura é algo que tem massa, a energia tem uma massa, mas é algo que não é da mesma natureza. Na nossa galáxia vemos as estrelas, a dinâmica dessas estrelas requer a existência de matéria escura para compreendermos como elas se movem", concluiu.
10 May 2022

Instalação de base com humanos em Marte adiada "décadas" devido à guerra na Ucrânia

RFI Português
A invasão da Ucrânia pela Rússia não se limita às fronteiras geográficas destes dois países, enviando ondas de choque que se traduzem no aumentos dos preços dos combustíveis em todo o Mundo, criou uma escassez de certos produtos alimentares e chegou mesmo ao Espaço. O investigador português, Pedro Machado, explica em entrevista à RFI qual o impacto do conflito na exploração de Marte. "Eu não pensava que ia ver este tipo de situações no Mundo, nem a afectarem a Europa directamente até em processos aos quais eu estou ligado. O que conheço, por exemplo, da missão ExoMars da Agência Espacial Europeia, onde havia uma colaboração russa que foi cancelada e, por isso, a missão está em perigo, a missão está em vias de ser cancelada", disse o investigador português. Pedro Machado é investigador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço e professor na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, participando na missão Mars Express, também da Agência Especial Europeia (ESA), trabalhando de perto com os dados recolhidos pela ExoMars. A ExoMars é a missão europeia para averiguar se já houve vida em Marte e também a possibilidade da existência de água neste planeta. Constituída por duas fases, a primeira levada a cabo em 2016 com um orbitador que visa avaliar os gases que rodeiam Marte, e uma segunda fase com o envio de um rover, um robot explorador, em 2022. No entanto, esta missão era levada a cabo em conjunto com a agência espacial russa, a Roscosmos, e em Março a ESA anunciou que o rover já não seria enviado para o espaço em Setembro, como estava previsto, devido à invasão da Ucrânia por parte da Rússia, o que dificulta a cooperação com Moscovo. "Em consequência desta falta de ética internacional da parte de pessoas que têm demasiado poder e pouca ética, a nossa missão a Marte para trazer uma amostra de volta vai estar adiada muito tempo. Isto tem como impacto, obviamente, que a exploração espacial no seu todo, mas no caso específico da ida a Marte e da possível instalação de uma base com humanos em Marte vai estar adiada mais duas ou três décadas", lamentou o cientista português. Pedro Machado lamenta não poder continuar a cooperar com os colegas russos, defendendo que a ciência tem "uma bandeira de irmandade" e uma utopia que têm como objetivo avançar o conhecimento global. No entanto, o investigador, apesar de dizer que haverá uma desaceleração da dinâmica especial fruto das pontes cortadas com a Rússia, reconhece que esta poder ser uma oportunidade para maiores avanços neste campo, sobretudo com a entrada de actores privados que querem também fazer parte da corrida espacial. "Desaceleração vai haver com certeza, eram utilizados muitos lançadores, muitos foguetões russos. Mas eu não acho que havia uma dinâmica na exploração espacial, eu acho que continua a haver neste momento, e de que maneira, uma grande proliferação de missão espaciais, com o advento de companhias privadas. O que eu acho é que isto [a exclusão da Rússia] vai ter o efeito contrário, em vez de desacelerar vai acelerar a entrada de companhias internacionais para substituir os lançadores russos que estavam a ser usados até agora, irá ficar mais barato e mais rápido, além de se passar a usar tecnologia mais recente e talvez até mais fiável", concluiu.
02 May 2022

Moçambique: "Explorar gás natural é uma escolha errada"

RFI Português
"Moçambique deveria estar na frente das decisões em não querer explorar energias fosseis", defende a directora da ONG moçambicana JA!, que sublinha o facto de os combustíveis fósseis serem "o caminho para o fim do planeta, da humanidade e da economia".  As Alterações climáticas estão a levar à erosão da costa de cada vez mais países insultares do sul e de baixa altitude. A situação é cada vez mais dramática na região do Pacífico, onde com a subida do nível do mar, há países insulares que correm o risco de desaparecer. O relatório dedicado aos oceanos, o Painel Inter-governamental para as Alterações Climáticas (IPCC), de 2019, alertava para o facto de os países mais vulneráveis serem os que menos poluem. Os especialistas alertam para a necessidade dos países do norte terem de inverter esta tendência e apostar mais em energias sustentáveis. A subida do mar vai ter impactos em Moçambique, não só na erosão, como na destruição das insfra-estruturas que estão perto do mar, aponta Anabela Lemos, directora-executiva da Justiça Ambiental (JA!).
26 April 2022

São Tomé e Príncipe admite não conseguir eliminar o paludismo até 2025

RFI Português
Assinalou-se esta segunda-feira o dia internacional de luta contra a malária, uma doença originada pela picada de um mosquito que em 2020 afectou mais de 241 milhões de pessoas e causou mais de 627 mil mortos pelo mundo fora, na sua grande maioria (95%) na África subsariana e mais especificamente crianças com menos de cinco anos. Apesar de existir desde 2002 um Fundo Mundial de Luta contra a Sida a Tuberculose e o Paludismo, um fundo que permitiu já grandes progressos no combate a estas doenças, esta continua a ser uma luta desigual. Isto tanto mais que durante estes últimos dois anos em que o mundo esteve a braços com a covid-19, as outras doenças e nomeadamente a malária ficaram um pouco para trás, muito embora existam tratamentos e inclusivamente vacinas a serem desenvolvidas. São Tomé e Príncipe, país com fraca incidência desta doença, tem sido um dos terrenos de pesquisas para encontrar vias alternativas de combate ao paludismo. Uma equipa de cientistas da Universidade da Califórnia tem estado a analisar os mosquitos existentes no país com vista a eventualmente explorar a possibilidade de criar um mosquito transgénico que contribua para eliminar a doença. A eliminação do paludismo é precisamente um objectivo que ainda há poucos meses, em Novembro passado, o governo são-tomense considerava acessível em 2025. Mas isto era antes das intempéries que favoreceram o surgimento de mais casos, como refere João Alcântara, coordenador nacional da luta contra o paludismo em São Tomé e Príncipe, o nosso convidado neste magazine.
19 April 2022

"Quantas pessoas não estão a sofrer porque o nuclear existe?"

RFI Português
A União Europeia importou mais de metade da energia que consumiu em 2020. De acordo com os números divulgados pelo Eurostat, os 27 importaram 58% da energia consumida. Em média, a produção doméstica garante apenas 42% da energia necessária.  A Rússia tem sido o principal fornecedor da União Europeia de energia, com 24,4% das importações de energia como o gás natural, petróleo e carvão. Em 2020, a Europa precisou de 35% de petróleo e produtos derivados, 24% de gás natural, 17% de energias renováveis, 13% de energia nuclear e 11% de combustíveis fósseis sólidos. Apesar das críticas apontadas por ambientalistas de países como a Alemanha, a Comissão Europeia aprovou em Fevereiro um projecto que viabilizar a energia nuclear e o gás como fontes de energia sustentáveis. Ambos vão ser incluídos na regulamentação de taxonomia, um sistema de classificação que visa direccionar os investimentos no sector para as energias verdes. Berlim posicionou-se contra a energia nuclear, que conta com o apoio de países como França – onde 70% da electricidade é de origem nuclear – e do Norte, Centro e Leste Europeu. Polónia, Hungria, República Checa, Bulgária, Eslováquia e Finlândia estão do lado da França, enquanto Áustria, Dinamarca e Luxemburgo concordam com a Alemanha. Especialistas em energia mostram-se preocupados com "os impactos ambientais que pode resultar", no caso de um acidente nuclear, apontando que a construção de novas centrais nucleares levaria demasiado tempo para atingir os objectivos de neutralidade climática, projectados para 2050. "Quando falamos de energia nuclear, estamos a falar de mudar a fonte de energia que no fim vai aquecer a água para produzir vapor e por fim para produzir electricidade", explica o Presidente do Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear, Bruno Soares Gonçalves. "Para cumprir a meta de 2050, garantidamente, uma aposta forte agora com múltiplas centrais (nucleares), substituindo as centrais mais poluentes, sobretudo as  de carvão, terá um efeito positivo", aponta o Presidente do Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear. "Quando se fala do nuclear, vai-se buscar os acidentes como Fukushima, Chernobil e as vítimas dos acidentes. Os números são sempre muito controversos, quantas mortes prevenimos ao não produzir tanto CO2? Fazendo as contas de quantas centrais de carvão foram substituídas pelas centrais nucleares, estamos a falar de menos vítimas de problemas de saúde, devido à queima de combustíveis fosseis da ordem dos milhões. É preciso saber o balanço de quantas pessoas não estão a sofrer porque o nuclear existe?", questiona Bruno Soares Gonçalves. O investigador é também autor de "Fusão Nuclear na era das alterações climáticas". Neste livro, o autor questiona-nos sobre o nosso consumo energético e sobre o seu acesso limitado. "Nem sempre nos questionamos do impacto que o nosso consumo tem no ambiente e como poderemos reduzir esse impacto. Enquanto cidadãos temos a responsabilidade de consumir a energia da forma o mais eficiente possível (...)  Quantos mais gases houver, mais a temperatura sobe. E uma vez que os gases estejam na atmosfera ficam lá por um longo período de tempo. Cerca de um quinto dos gases emitidos hoje ainda estarão lá daqui a 10000 anos. Por esta razão temos de inovar para zero gases. É nossa obrigação deixar um planeta habitável às futuras gerações", escreve o autor.
12 April 2022

Alterações Climáticas: "É essencial agir agora"

RFI Português
O Grupo Intergovernamental de Peritos sobre as Alterações Climáticas (GIEC) publicou o último volume do 6° relatório, no qual descreve medidas drásticas a serem adoptadas para limitar a 1.5°C o aquecimento global. Este relatório é “uma longa enumeração de promessas climáticas não cumpridas. É um arquivo de vergonha, que cataloga as promessas vazias que nos colocam no caminho para um mundo inabitável”, descreveu o secretário-geral da ONU, António Guterres. O relatório propõe a redução da utilização de combustíveis fósseis, a plantação de florestas e a redução do consumo de carne. Entre 2010 e 2019 a média anual das emissões globais de gases com efeito de estufa atingiu os níveis mais elevados na história da humanidade, apesar de se ter verificado um abrandamento na taxa de crescimento.  "É essencial agir agora, isso já se sabia há muito, porque para atingirmos a temperatura que os Estados se comprometeram a atingir no Acordo de Paris, dos 2°C ou se possível 1,5°C, não é possível esperarmos mais. Depois será tarde demais", afirma Bárbara Maurício, gestora de projectos de políticas climáticas na Organização Não Governamental portuguesa, zero.
05 April 2022

Açores: Actividade sísmica em São Jorge, "é imprevisível"

RFI Português
Desde 19 de Março que a actividade sísmica registada na parte central da ilha de São Jorge, localizada entre Velas e a Fajã do Ouvidor, se encontra acima do normal. O maior sismo foi registado no dia 29 de Março com uma magnitude de 3,8 na escala de Ritcher.  Desde o início da crise, foram registados mais de 26.348 sismos e um total de 225 sismos sentidos. A ilha de São Jorge está no nível de alerta vulcânico de V4 (ameaça de erupção) de um total de sete, sendo que V0 significa "estado de repouso" e V6 "erupção em curso". "Este sistema vulcânico tem pelo menos duas erupções bem conhecidas desde o povoamento dos Açores; uma ocorreu em 1580 e a outra em 1808. Além das indicações de que a crise sísmica que ocorreu em 1964 poderá ter dado uma erupção vulcânica submarina, ainda assim não haver provas a cem por cento que terá acontecido", explicou Rui Marques, presidente do Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores (Civisa). Esta situação é "totalmente imprevisível. É necessário monitorizar o máximo de parâmetros possível para tentar verificar se existem alterações, que se possa traduzir numa possível erupção vulcânica", descreve o presidente do Civisa.
29 March 2022

Macau mantém "bolha" mais de dois anos após o início da pandemia de covid-19

RFI Português
Numa altura em que o número de casos na China e na vizinha Hong Kong bateram recordes, Macau continua a ser "uma excepção" no panorama global da covid-19 mundo devido a uma política de covid zero que não permite a entrada de estrangeiros no território, como relatou à RFI Mário Évora, cardiologista no Centro Hospitalar Conde de São Januário, em Macau. "A situação está controlada, Macau continua a ser uma excepção, penso que é dos poucos sítios no Mundo em que podemos dizer que a infeção não chegou a entrar na comunidade. Os casos que temos foram importados,  não há transmissão, o que faz de Macau uma bolha, o que é uma raridade no que vemos no Mundo e mesmo aqui ao lado em Hong Kong e na China", garantiu o médico Mário Évora. Tal como na Europa, a covid-19 está a ter um grande ressurgimento na China e Hong Kong. Particularmente em Hong Kong, o território vive há cerca de um mês sob um forte dispositivo de medidas restritivas, incluindo a proibição de voos de e para este território que até a este fim de semana registava mais de 10 mil casos novos casos diários. Em Macau, desde o início da pandemia foram registados apenas 82 casos, com as restrições mais duras a perdurarem ainda neste território autónomo da China, incluindo a proibição de entrada a quem não é chinês ou residente em Macau. "As pessoas têm de vir com um teste negativo e estão testados à chegada. Mesmo que sejam casos negativos, do aeroporto vão directamente para um hotel onde ficam em isolamento 21 dias e a boa notícia é que vão diminuir os dias de isolamento para 14", explicou. Estas medidas previnem a covid-19, mas têm também efeitos para a economia de Macau muito dependente do turismo, já que antes da pandemia, entravam por ano neste território entre 20 a 25 milhões de turistas por ano. "Isto reflecte-se na economia, especialmente a economia de Macau que se baseia fundamentalmente no jogo, nos casinos, que têm tido uma queda abrupta de receitas desde que começou a pandemia. Podemos imaginar que os casinos possam suportar melhor isso que as pequenas empresas ou o comércio, montes de restaurantes já fecharam porque não têm clientes", relatou Mário Évora.  Sem covid, o médico cabo-verdianos diz que o que observa nos seus pacientes, especialmente nos que não são originalmente de Macau, casos de depressão devido às medidas que limitam as visitas aos estrangeiro e isolam os habitantes deste território. De forma a abrir Macau ao exterior e passar a uma política em que "se viva com o vírus", o médico disse à RFI que é preciso apostar na vacinação, algo que não teve muita adesão por parte da população nem em Macau e nem em Hong Kong. Segundo Mário Évora, este será mesmo o maior fator que levou ao surto em Hong Kong. "Na Europa e noutros locais já começou a haver uma abertura e uma forma diferente de viver com a pandemia, mas isso implica uma coisa muito importante que é a vacinação da população, isso é fundamental para se poder abrir. Infelizmente aqui, em relação a Macau e a Hong Kong, esse processo não foi imediato. Em Macau, a princípio, a adesão à vacinação começou por ser baixa, felizmente já atingirmos um patamar bastante seguro, o que não acontecia em Hong Kong e Hong Kong foi apanhado de surpresa com uma percentagem de vacinação bastante baixa e daí a mortalidade", afirmou o cardiologista.
22 March 2022

Guerra na Ucrânia: "É necessário encontrar fornecedores alternativos"

RFI Português
A guerra na Ucrânia fragilizou o sistema de abastecimento alimentar na Europa e no mundo e o risco de uma eventual escassez global de produtos do sector agrícola afigura-se cada vez mais como uma forte possibilidade, de acordo com a ONU. A RFI entrevistou Luís Capoulas Santos, ex-ministro da agricultura português e actual deputado europeu, que nos falou sobre o impacto desta guerra no sector agroalimentar. A Rússia e a Ucrânia são dos maiores exportadores mundiais, por exemplo, de cereais ou oleaginosas, alimentos que subiram de preço de forma exponencial, no último mês, pelo que existe a necessidade de se encontrar "fornecedores alternativos", conforme nos explicou o ex-ministro. Luís Capoulas Santos referiu ainda não ter dúvidas de que com esta guerra as relações internacionais ficarão "profundamente alteradas", o que prejudica igualmente o "comércio internacional".
15 March 2022

Culturas em Portugal “irremediavelmente perdidas” devido à seca extrema

RFI Português
A seca extrema e severa chegou a quase 90% do território de Portugal, com muitas culturas, nomeadamente as culturas de cereais, a estarem "irremediavelmente perdidas". No entanto, Luís Mira, secretário-geral da Confederação dos Agricultores de Portugal, considera que ainda podem ser tomadas medidas para reverter uma parte das consequências deste fenómeno ligado às alterações climáticas. Em Portugal, grande parte do país está em seca extrema. Um fenómeno ligado às alterações climáticas, mas que se tornou recorrente em todo a Península Ibérica nos últimos anos. Luís Mira, secretário-geral da secretário-geral da Confederação dos Agricultores de Portugal, considera que as autoridades nacionais já deviam ter feito mais para evitar esta situação extrema no país, que associada às dificuldades da escassez de cereais e os preços dos combustíveis derivados do conflito na Ucrânia, vêm agravar a situação dos agricultores e dos consumidores na Europa. "Portugal precisa de encarar a questão da seca como uma questão estrutural que precisa resolver, mas não foi isso que o Governo fez quando tomou decisões para o Plano de Resiliência. É preciso trazer água de onde ela existe, no Norte do país, para todo o interior do país criando uma auto-estrada da água de maneira a minimizar este fenómeno", explicou Luís Mira em entrevista à RFI. Alguma das culturas em Portugal já estão mesmo irremediavelmente perdidas, disse o líder dos agricultores em entrevista à RFI. "Reverter [a seca] não é possível. Agora é possível atenuar alguma coisa se chover nas próximas semanas, mas não deve chover muito. Para chover é em março e abril, se chover em junho vai estragar tudo. Mas aqueles que tiveram prejuízos e têm limitações, nomeadamente nas culturas de cereais que não tiveram água nos últimos meses já dificilmente recuperarão. Alguma estão irremediavelmente perdidas", afirmou o dirigente. Luís Mira espera agora medidas mais rápidas por parte das autoridades portuguesas e de Bruxelas para contrariar a seca extrema em Portugal, pedindo alterações Política Agrícola Comum, a PAC, de forma a garantir a segurança alimentar na Europa.