< Eclesiastes 2

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[1] Eu disse a mim mesmo: “Venha. Experimente o prazer. Descubra as coisas boas da vida!”. Mas isso também se revelou inútil.
[2] Eu disse: “O riso é loucura, e para que serve o prazer?”.
[3] Com a mente, investiguei como estimular o meu corpo com o vinho — mantendo‑a, porém, orientada pela sabedoria — e como acolher a insensatez. Eu queria saber o que vale a pena, debaixo do céu, nos poucos dias da vida humana.
[4] Realizei grandes projetos: construí casas e plantei vinhas para mim.
[5] Fiz jardins e pomares e neles plantei todo tipo de árvore frutífera.
[6] Construí também reservatórios para irrigar os meus bosques verdejantes.
[7] Comprei escravos e escravas e tive escravos que nasceram na minha casa. Além disso, tive também mais bois e ovelhas do que todos os que me precederam em Jerusalém.
[8] Ajuntei para mim prata e ouro, tesouros de reis e de províncias. Servi‑me de cantores e cantoras e também de um harém, as delícias dos homens.
[9] Assim, excedi a grandeza de todos os que me precederam em Jerusalém, conservando comigo a minha sabedoria.
[10] Não neguei aos meus olhos nada que desejaram; não me recusei a dar prazer algum ao meu coração. De fato, o meu coração se alegrou em todo o meu trabalho; essa foi a recompensa de todo o meu esforço.
[11] Entretanto, quando avaliei tudo o que as minhas mãos haviam feito e o trabalho que eu tanto me esforçara para realizar, vi que tudo era inútil; é correr atrás do vento. Não há nenhum proveito no que se faz debaixo do sol.
[12] Então, passei a refletir na sabedoria, na loucura e na insensatez. O que pode fazer o sucessor do rei, a não ser repetir o que já foi feito?
[13] Observei que a sabedoria é melhor que a insensatez, assim como a luz é melhor do que as trevas.
[14] O homem sábio tem olhos que enxergam, mas o tolo anda nas trevas; contudo, cheguei à conclusão de que ambos têm o mesmo destino.
[15] Então, eu disse a mim mesmo: “O que acontece ao tolo também me acontecerá. Que proveito eu tive em ser sábio?”. Também disse a mim mesmo: “Isso também é inútil!”.
[16] Nem o sábio nem o tolo serão lembrados para sempre; nos dias futuros, ambos serão esquecidos. O sábio morre tal qual o tolo!
[17] Por isso, desprezei a vida, pois o trabalho que se faz debaixo do sol pareceu‑me muito pesado. Tudo é inútil; é correr atrás do vento.
[18] Desprezei todo o meu trabalho pelo qual eu tanto me esforçara debaixo do sol, pois terei de deixá‑lo para aquele que me suceder.
[19] E quem sabe se ele será sábio ou tolo? No entanto, terá domínio sobre tudo o que realizei com o meu trabalho e com a minha sabedoria debaixo do sol. Isso também é inútil.
[20] Cheguei a ponto de me desesperar por todo o trabalho no qual tanto me esforcei debaixo do sol.
[21] Pois um homem pode realizar o seu trabalho com sabedoria, conhecimento e habilidade, mas terá que deixar o resultado de seu trabalho como herança para alguém que não se esforçou por aquilo. Isso também é inútil e um grande infortúnio.
[22] Que proveito tem um homem de todo o trabalho e de todo o empenho com que se esforça debaixo do sol?
[23] Todos os seus dias estão cheios de pura dor e de tarefas frustrantes; nem mesmo durante a noite o seu coração descansa. Isso também é inútil.
[24] Para o homem, não existe nada melhor do que comer, beber e encontrar prazer no seu trabalho. E vi que isso também vem da mão de Deus.
[25] Pois, sem ele, quem poderia comer ou encontrar satisfação?
[26] Ao homem que lhe agrada, Deus dá sabedoria, conhecimento e felicidade. Quanto ao pecador, Deus lhe dá a tarefa de ajuntar e armazenar riquezas para entregá‑las a quem é do seu agrado. Isso também é inútil; é correr atrás do vento.